Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

POLÊMICA

Câmara veta doação de área de 22 mil m2 à Cidade dos Ônibus

23 DEZ 2010Por Carlos Henrique Braga e Edivaldo Bitencourt00h:00

Os vereadores de Campo Grande aprovaram o projeto de lei que permite a desafetação (venda de bens públicos para iniciativa privada) de 460 áreas, mas vetaram a doação de 22 mil metros quadrados para a construção da "Cidade dos Ônibus". A medida causou polêmica, porque prevê a doação do imóvel avaliado entre R$ 1,7 milhão a R$ 2,2 milhões no bairro Rita Vieira, na saída para São Paulo, para as empresas do transporte intermunicipal e interestadual de passageiros.

De acordo com o vereador Lídio Lopes (PP), a proposta foi aprovada com quatro emendas, sendo que duas retiram e outras duas acrescentam lotes para desafetação. A maior polêmica ocorreu na área de 22 mil metros quadrados, localizada no Rita Vieira, que seria desafetada pelo município e doada para as concessionárias do transporte coletivo de passageiros.

Segundo o vereador Paulo Pedra (PDT), contrário ao projeto de lei que autorizou a desafetação de 460 áreas por "transformar a prefeitura em uma imobiliária", o documento não mencionava a criação da Cidade dos Ônibus, mas o prefeito confirmou a informação aos vereadores por meio do líder do Governo no legislativo, Mário César (PPS).

Ele chama de "absurda" a criação do espaço porque acredita que concentrar empresas vai extinguir empregos, uma vez que mecânicos e auxiliares, por exemplo, poderão ser cortados. "Se eles (empresários) quiserem, eles que comprem uma área", avisou. Pedra também comemorou o veto à venda de praça no Jardim Autonomista, que seria doada ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren).

Favorável ao projeto, o vereador Airton Saraiva (DEM) defendeu o que chamou de "concorrência pública" e afirmou que as áreas estarão "à disposição de qualquer cidadão brasileiro que quiser comprar".

Equívoco
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e vice-prefeito, Edil Albuquerque (PMDB), reagiu ao veto do legislativo. Primeiro, ele ressaltou que a área a ser doada às empresas de ônibus não está definida. "Estamos buscando um terreno de aproximadamente 26 mil metros quadrados para doar", contou. "Onde está escrito que a área (do Rita Vieira) seria para a Cidade dos Ônibus?", indagou.

Ele defendeu a doação do terreno, porque vai garantir investimento de R$ 150 milhões. As 19 empresas ficarão instaladas em apenas um local e racionalizarão a utilização de recursos, como a instalação de apenas um lavador de veículos. Albuquerque contou que Cuiabá (MT) é referência na implantação da "Cidade dos Ônibus" de Campo Grande.

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