segunda, 16 de julho de 2018

FIGUEIRÃO

Caçula de MS chega à “modernidade”

14 NOV 2010Por BRUNO GRUBERTT02h:22

Seria óbvio demais dizer que Figueirão é um lugar tranquilo. Com 2.789 habitantes, segundo últimos dados do Censo, o município emancipado em 2003 é o mais novo de Mato Grosso do Sul e o que tem menor população. Distanciando-se a cada dia do isolamento — as estradas de acesso, antes ruins e sem asfalto, estão dando lugar a rodovias pavimentadas — , Figueirão está longe de ser um local alheio à civilização. A internet é realidade desde a fundação e veio bem antes do sinal de telefonia celular, que chegou somente este ano, levado por uma única operadora.

Assim como a velocidade da conexão, o progresso vem chegando devagar e Figueirão ainda é lugar de poucos números. Lá, quase tudo é apenas um: posto de saúde, hospital municipal, posto de combustível, agência bancária, cartório e restaurante. Há duas escolas, três médicos e seis policiais. A prefeitura já trabalha na construção da sede própria para o hospital, creche municipal e ainda no asfaltamento das ruas. Até agora, somente as três avenidas principais são pavimentadas na área urbana.

Até o hospital ficar pronto, outro investimento em saúde propiciou a compra de um micro-ônibus, com capacidade para 16 pessoas, usado para levar os doentes mais graves à Capital.

História
Antes, a área que hoje abriga o município de Figueirão era formada por fazendas. Nos anos 50, os primeiros moradores começaram a ocupar o entorno da primeira escola da região. “A escola era o centro de Figueirão”, conta o historiador Admar de Araújo, filho de um dos fundadores da escola e do município. Segundo ele, que já escreveu um livro sobre a história de Figueirão, o primeiro loteamento surgiu em 1957, quando o local começou a ser devidamente organizado para se tornar um município.

Foi cerca de 20 anos depois disso que o pernambucano João Sérgio, 67 anos, como é conhecido na cidade, chegou a Figueirão. Ele trabalhava como caminhoneiro e veio trazer uma carga do Paraná para a fazenda de um patrão, quando resolveu ficar. “Era esquisito, não tinha estrada nem população, mas eu gostei daqui”, conta. Ele só lamenta o fato de a mudança ter deixado os filhos mais velhos sem estudo. Mas não se arrepende de ter ficado. “É gostoso demais aqui. O povo é humilde, sabe?”.

Distância
Hoje, o “centro” de Figueirão é Costa Rica, que fica a cerca de 70 quilômetros de lá e para onde os cidadãos figueirenses vão quando necessitam fazer transações bancárias ou resolver pendências na Justiça — não existe fórum em Figueirão, que responde à comarca do município vizinho.

Um motoboy, contratado principalmente por servidores do Estado, é o responsável pelos depósitos e transferências de dinheiro feitos na agência do Banco do Brasil em Costa Rica, já que em Figueirão existe apenas uma agência do Bradesco. Junto com o cartão dos “contratantes”, ele leva anotado tudo o que deve ser feito e, inclusive, a senha referente a cada cartão.

A maior queixa na cidade é a falta de empregos. Quem não trabalha nas fazendas, no serviço público ou não tem condições de abrir um estabelecimento comercial, quase sempre fica de fora do mercado de trabalho. “Tinha que ter mais indústrias para o povo trabalhar. A gente que tem netos nascendo aqui tem que acreditar”, diz o trabalhador rural Natalino Maded da Silva, que se mantém em Figueirão pelas facilidades de um lugarejo de interior. “Não tenho como reclamar. Tudo o que a gente precisa está na mão. Aqui, a gente tem um lugar bom para criar os filhos”, disse.

Na Cidade da Pedra Bonita, como é conhecida a formação rochosa situada em um dos muitos morros da região, a reação foi de surpresa com a informação de que lá há “somente” 2,7 mil moradores. A prefeitura promete questionar os dados junto ao IBGE, já que tem a estimativa de que 4,8 mil figueirenses, satisfeitos e tranquilos, morem nas fazendas e pequenas casas do município.

Leia Também