sábado, 21 de julho de 2018

festividade

Brasília faz encontro para mostrar “giro” da Folia de Reis

19 FEV 2011Por AGÊNCIA BRASIL19h:00

Oito grupos de folia de regiões administrativas do Distrito Federal (DF), ex-cidades satélites, e de cidades de Minas Gerais e de Goiás localizadas no Entorno do DF se encontram no Parque da Cidade para apresentar os louvores que a Folia de Reis faz tradicionalmente para representar o nascimento de Jesus Cristo e a visita dos Reis Magos.

O “giro”, como são chamadas as visitas às fazendas para apresentar músicas, danças (como a catira) e ladainhas, ocorre entre a véspera do Natal e o Dia de Reis, 6 de janeiro. A tradição folclórica, mais comum em estados do Centro-Sul (no Nordeste, brinca-se o reisado), veio da Península Ibérica, ainda no período colonial, e é mantida em vários estados brasileiros.

O Distrito Federal, que fica no território de Goiás, mas encosta a ponta sudeste de sua divisa em Minas Gerais, recebe influência maior desses estados, explica o mineiro de Coromandel, músico e radialista Volmi Batista, idealizador do evento e presidente do Clube do Violeiro Caipira de Brasília.

Segundo ele, o encontro deste ano se restringiu a grupos do Entorno do DF, mas em edições anteriores recebeu foliões do Tocantins, de São Paulo, Santa Catarina e até mesmo um grupo do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Brazlândia e Planaltina (no DF) e Unaí (MG), cidades que já existiam antes da inauguração de Brasília (1960), são os lugares próximos da capital com maior número de participantes.

Desde 2003, o encontro faz parte do calendário oficial de eventos de Brasília. Entre os participantes há pessoas que vivem na zona rural e outras que que trabalham em Brasília, como o músico Zé Vieira, da dupla Zé Vieira e Vieirinha, que é cozinheiro em um restaurante no centro da cidade.

Em sua opinião, o Encontro de Folia de Reis “revelou a identidade do povo que ficava escondida”, além de apresentar outros foliões e formas de giro. “Brasília não tem cultura, tem todas as culturas”, disse Vieira, ao comentar que a falta de autenticidade é compensada pela presença de manifestações vindas de várias partes do país.

Para Marcelo Manzetti, da organização do evento, mesmo com a participação de trabalhadores rurais e de pessoas que moram em centros urbanos, o Encontro de Folia de Reis é bastante genuíno e se mantém, apesar da hegemonia dos meios de comunicação e da indústria cultural que promove as duplas sertanejas. “As apresentações são mais próximas do caipira do que do sertanejo”, afirmou.

O encontro termina nesta noite no pavilhão ExpoBrasília, no Parque da Cidade, com show programado para as 22 horas. A entrada é franca. Veja a programação no site: http://www.encontrodefoliadereis.com.br.

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