segunda, 16 de julho de 2018

SUCESSÃO PRESIDENCIAL

Brasil vai eleger hoje o futuro presidente

31 OUT 2010Por São Paulo02h:00

O Brasil vai conhecer hoje o novo presidente da República do confronto da petista Dilma Rousseff, líder das pesquisas eleitorais, com o tucano José Serra. A primeira estreia na carreira política concorrendo ao mais alto cargo da República com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E pode ainda ser a primeira mulher a dirigir o Brasil. O tucano, por sua vez, renunciou ao mandato de governador do Estado mais rico do País, São Paulo, onde tinha a reeleição praticamente certa, para tentar, pela segunda vez, conquistar a Presidência da República.

Se confirmar o favoritismo indicado pelas pesquisas de intenção de voto e for eleita hoje, Dilma Rousseff terá a sua disposição ampla maioria favorável a seu governo dentro do Congresso. Ao todo, as urnas produziram a eleição de 360 deputados e 57 senadores alinhados com seu eventual governo.

Na prática, isso torna muito mais simples aprovar, por exemplo, mudanças constitucionais, que exigem o apoio de três quintos dos parlamentares das duas Casas em dois turnos de votação na Câmara e no Senado.

Facilita também a derrubada de pedidos de abertura de comissões parlamentares de inquérito que possam investigar temas desconfortáveis para o governo.

Com isso, se for eleita, Dilma terá um cenário dentro do Congresso mais favorável do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou quando foi eleito pela primeira vez em 2002 e até mesmo depois de sua reeleição em 2006. Nestes oito anos de mandato, o presidente não teve problemas para controlar politicamente a Câmara dos Deputados, mas nunca conseguiu construir uma maioria parlamentar dentro do Senado.

No fim de 2007, foram os senadores que produziram a maior derrota de Lula no Congresso com a derrubada do projeto que prorrogava a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Agora, se a candidata petista derrotar neste domingo o tucano José Serra, terá uma bancada muito mais favorável, inclusive no Senado. E isso acontecerá mesmo se forem levadas em conta dissidências nas bancadas de partidos aliados a Dilma, como é o caso de PMDB e PP.

Os peemedebistas passam a contar em 2011 com 21 senadores, mas três deles não devem se alinhar com Dilma, caso ela vença. É o caso dos senadores Jarbas Vasconcellos (PE), Luiz Henrique da Silveira (SC) e, possivelmente, Pedro Simon (RS). No PP, a senadora eleita Ana Amélia Lemos (RS) fez campanha a favor de Serra em seu Estado e também não apoia Dilma.

Do lado oposto, se conseguir reverter a tendência apontada pelas pesquisas, Serra precisará de ampla costura política para formatar uma base de apoio a seu favor no Congresso. Hoje, teria a seu lado apenas 125 deputados e 22 senadores.

Senado
Se o tucano vencer, o problema maior ocorrerá no Senado, no qual precisaria enfrentar e dobrar senadores com posições políticas mais sólidas. Além disso, precisaria reorganizar suas principais lideranças na Casa, já que PSDB e DEM não conseguiram reeleger alguns de seus senadores mais importantes, como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Heráclito Fortes (DEM-PI), entre outros.

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