terça, 17 de julho de 2018

natação

Brasil quer prata no nado sincronizado

22 FEV 2011Por terra09h:07

Um pequeno aparelho acoplado a uma caixa de som leva a voz de Maura Xavier até os ouvidos de 12 garotas submersas nas águas da piscina olímpica do Parque Aquático Maria Lenk, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. "Um, dois, três, quatro,...". A técnica conta o compasso da música enquanto pernas fazem movimentos de balé no ar. "Olha a diagonal, alguém está errando a diagonal!", reclama Maura. As garotas voltam à tona. Corrigem a postura, simulam com as mãos o movimento a ser realizado pelas pernas e voltam a mergulhar.

A rotina de treinamento de mais de 7 horas diárias tem algumas metas. A primeira é bater as rivais mexicanas no Pan de 2011. "Nós já superamos o México algumas vezes. Mas agora elas vão estar em casa", afirma Maura. A prata não é impossível. Mas as brasileiras teriam que derrotar as todas poderosas norte-americanas e canadenses.

A segunda meta é continuar evoluindo tecnicamente. A equipe brasileira só iria a Londres 2012 se ocorresse uma grande zebra. Isso porque são apenas nove classificadas. Cinco delas são as campeãs de cada continente. As quatro vagas restantes ficam com as demais potências do nado sincronizado. "Já evoluímos muito. Na minha época, eu tinha que pagar tudo. Hoje temos estrutura, transporte, bolsa atleta", explica a técnica que parou de competir como atleta em 1987.

Ainda precisam ser feitos ajustes à coreografia criada com a ajuda de uma craque do nado sincronizado, Tatiana Pokrovskaya. A russa, que faturou o ouro olímpico por três vezes, passou uma semana no Brasil emprestando seu talento criativo às meninas. O intercâmbio faz parte do projeto para subir de nível. No entanto, Maura acredita que isso só ocorrerá quando houver um aumento no número de garotas que praticam nado sincronizado no Brasil. "Hoje a hegemonia técnica ainda pertence ao eixo Rio-São Paulo. É preciso criar tradição no esporte. Isso ocorrerá quando houver a massificação", afirma.

Enquanto isso, o jeito é colocar em ordem os braços e pernas na piscina do Maria Lenk. As meninas aproveitam a estrutura do parque aquático, por hora, reservado só para elas. Chegam às 7h, treinam até as 11h, almoçam no refeitório e dormem em um alojamento improvisado no mesmo andar das piscinas. Voltam para a água das 14h às 17h.

Esperança olímpica

Sob os comandos de Maura e de Roberta Perilier, as meninas se esforçam para resolver o problema da diagonal. De repente, o treinamento para. Nayara Figueira tomou uma joelhada aquática na boca. Ela nada até a beirada, pede gelo e se recupera. Junto com Lara Teixeira, a atleta é a esperança olímpica do Brasil. Mesmo que a equipe não vá para Londres, as duas vão representar o país no dueto.

Lara Teixeira, 23 anos, se juntou a Nayara Figueira, 22 anos, após ganhar a prata no Pan de 2007 acompanhada de Caroline Hildebrandt. Lara e Nayara ficaram em 13º lugar na Olimpíada de Pequim. Em 2010, obtiveram o segundo lugar no Open da Itália, superando as mexicanas e perdendo apenas para as donas da casa. "Estamos muito motivadas após a inédita medalha de prata. Esperamos conquistar mais medalhas agora", afirma Lara.

As duas, que fazem praticamente tudo juntas, dizem ter um ótimo relacionamento dentro e fora das piscinas. "Isso é muito legal. Não somos irmãs, como não é raro acontecer com o dueto. Então não temos aquela convivência de casa. Mesmo assim, temos um feeling. Só no olhar já nos entendemos", conta Lara. Segundo ela, as duas conseguem conciliar os treinos com vida social. Ambas têm namorado e vão à festas. O dueto treina a maior parte do tempo em São Paulo sob as orientações da técnica Andrea Curi, no clube Paineiras. De 15 em 15 dias se juntam à seleção para treinamentos. No momento, estão aprendendo a nova coreografia. "Não demora, em dois dias já nos adaptamos", garante Nayara.

Outra fera é a solista Giovana Nunes Stephan, 20 anos. "Ela tem muitas coisas a seu favor. É alta, forte, explosiva e vigorosa. Precisa agora trabalhar em extensão e flexibilidade", diz Maura sobre a garota que sincroniza movimentos com uma canção de Janis Joplin. Giovana começou no nado sincronizado em 1999 e passou a treinar no Flamengo. Além de treinar em ritmo especial, por ser solista, a garota também faz a faculdade de economia. "Nas horas vagas", explica. "O nado sincronizado é um sonho. Quero ver se vou conseguir conciliar", afirma Giovana.

O próximo objetivo das meninas é no Pan-Americano de Guadalajara, que ocorre em outubro. Até lá, os treinamentos continuam, sete horas por dia, de segunda à sábado. "Às vezes no domingo", ressalta Maura.

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