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Brasil quer escoar produção da Bolívia

22 JUL 10 - 07h:24
Sílvio Andrade, Corumbá

O Brasil apresentará alternativas de logística para a Bolívia exportar seus produtos além-mar, a partir da Hidrovia Paraguai-Paraná, e uma das opções viáveis é utilizar os terminais fluviais de Corumbá e Ladário como entrepostos. No acordo entre os dois países em relação ao Acre, foi definido que a saída da Bolívia ao mar seria via Canal do Tamengo, que tem restrições de navegação e não permite grandes comboios.
O canal é formado pelo Rio Paraguai e contorna a fronteira seca entre Puerto Suarez e Corumbá, onde estão situados os portos bolivianos e unidades de beneficiamento de soja. O país reivindica há décadas a retificação do canal para navegar com mais de duas barcaças hoje permitidas pela Marinha, contudo estudos indicam que intervir na via é um risco ambiental e não atende a demanda de escoamento.
Corumbá sediou ontem um encontro da Marinha e Ministério dos Transportes com o novo embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Fortuna Biato, para discutir o assunto. Após quatro horas, concluiu-se que o canal é inviável e a solução está em transportar a produção boliviana (soja e minério) até os portos brasileiros utilizando um ramal ferroviário interligado com a Oriental Ferrocarill, em Puerto Quijarro.
“O governo brasileiro tem todo o interesse no desenvolvimento integrado da região e a vocação histórica local de entreposto é uma alternativa para a Bolívia escoar sua produção pelo Atlântico”, disse o embaixador. Hoje o vizinho país exporta dois milhões de toneladas de soja e outros insumos produzidos na fronteira pelo Pacífico, numa viagem de trem e rodovia por 1.890 quilômetros até Arica, no Chile.
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