sexta, 20 de julho de 2018

PROBLEMA ANTIGO

Brasil não tem estrutura para armazenar grãos pós-colheita

29 OUT 2010Por O Estado de SP/Suplemento Agrícola00h:01

Se por um lado a produção de grãos no Brasil tem crescido ano a ano, passando de cerca de 83 milhões de toneladas na safra 1999/2000 para 147 milhões de toneladas nesta safra (crescimento que pode ser atribuído, entre outros fatores, ao amplo investimento em pesquisa e tecnologia para plantio no cerrado, o que elevou a produtividade de 2.195 para 3.141 toneladas por hectare na última década), o mesmo não ocorre nos processos que envolvem os grãos fora da lavoura, ou seja, no pós- colheita. Além de possuir uma capacidade de armazenamento aquém do tamanho da safra atual, boa parte das unidades de armazenamento não tem condições de armazenar esses grãos pelo período necessário sem comprometer a qualidade.

Silos antigos. “Isso porque são estruturas cuja idade beira os 40 anos e que foram construídas quando não havia preocupação em armazenar com qualidade. Nesse sentido o Brasil pode então ser comparado a um carro velho e sem um pneu”, disse o presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós), Irineu Lorini durante a 5ª Conferência Brasileira de Pós- Colheita, evento realizado na semana passada em Foz, do Iguaçu (PR), e que reuniu especialistas,produtores cooperativas de diversas regiões do País para discutir os principais gargalos do setor de armazenamento.

Entre os problemas debati- dos esteve o estrangulamento da capacidade estática do armazéns brasileiros. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o potencial total dos cerca de 17.500 armazéns existentes no Brasil está próximo dos 135 milhões de toneladas.

Sendo assim, o déficit de armazenamento em relação à safra atual é de mais de 12 milhões de toneladas de grãos. E, mais do que igualar essa capacidade para poder armazenar toda-a produção, o desafio é ampliá-la para 20% acima da safra, defende Lorini.

Investimentos Já existem investimentos nesse sentido, para tentar reverter esse quadro, ou pelo menos diminuir o descompasso entre o crescimento da produção e o da construção de armazéns. No Estado do Paraná, um do principais produtores de grãos do País, as cooperativas ampliaram os investimentos nas estruturas de armazenagem de R$ 99 milhões em 2006 para R$ 365 milhões em 2010, segundo informou o presidente da Organização Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar),João Paulo koslovski.

Do lado do governo, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou, para o Plano de Safra 2010/2011, a quantia de R$ 1 bilhão para o Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem (Moderinfra), quantia duas vezes superior à liberada no Plano de Safra anterior.

Plano nacional. Entretanto, ainda que julgue os números positivos, Lorini crê que sem um plano nacional de armazenagem o caminho a ser trilhado continua “infinito”. Se considerarmos que a construção de um silo pequeno demanda investimentos da ordem de R$ milhões,o valor investido pelas cooperativas no Paraná no é suficiente para sanar o problema. Já quanto ao Modei1nfra, além de serem recursos que não são de tão fácil acesso para as cooperativas e produtores, o valor não se destina somente ao setor de armazenagem, mas a toda e qualquer modernização nas propriedades rurais.”

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