quarta, 18 de julho de 2018

agronegócio

"Brasil é o supermercado do mundo" diz Riedel

27 DEZ 2010Por 01h:03

Ao fazer um balanço do agronegócio no ano de 2010 que está se encerrando, Eduardo Riedel, da Famasul, viu como “um ano bom”, especialmente com uma visão macro do setor. Para ele foi um ano abençoado, uma vez que o mercado para os produtos agropecuários está muito bom e, principalmente, está consolidado.

“Se a China é hoje a indústria do mundo, se a Índia é o call center do mundo, o Brasil é hoje e amanhã o celeiro, o supermercado do mundo”, afirmou o presidente da Famasul. “Estamos muito bem posicionados”, afirmou. E tudo isso está vindo junto com uma melhoria do ambiente institucional na última década, segundo ele, referindo-se a decisões dos últimos governos que organizaram a economia e beneficiaram o setor do agronegócio.

Citou o Governo Fernado Henrique que organizou a economia com ações importantes com a instituição da Lei de Responsabilidade Fiscal, a organização política. Citou também o Governo Lula que soube compreender a importância do agronegócio para a força econômica e o desenvolvimento do Brasil, adotando também medidas positivas, que beneficiaram o crescimento das safras brasileiras e a conquista dos mercados mundiais.

“Tivemos um salto qualitativo, tanto em tecnologia como na gestão das propriedadades. Logicamente também tivemos percalços”, e lembrou dos caminhonaços, tratoraços, as renegociações de dívidas. Citou como muito importante a instituição de programas como o Moderfrota e o Moderinfra, que fez com que houvesse pesados investimentos na compra de maquinas, na atração de indústrias de tratores e colheitadeiras ao País. “Tambem o crescimento do crédito privado”, citou Riedel.

Para ele, o grande “gargalo” foi a crise do câmbio, além das quedas de produtividade causadas pelas secas nas safras de 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007. Seguiu-se o processo de valorização do Real, que representou um tombo para os produtores, que plantaram com o dólar em patamares altos e venderam com o dólar em cotações bem inferiores. “Isso foi muito complicado para o setor", influenciando na renda do produtor”, lembrou o presidente da Famasul.

“Tudo isso levou as negociações das dívidas, problemas que não impediram, graças ao esforço e a competência dos produtores rurais, que chegássemos ao Brasil Gigante que enxergamos de hoje até 2015”, complementou.

E destacou que o aumento da responsabilidade dos produtores de alimentos vai exigir um aprimoramento ainda maior na gestão das propriedades rurais e do negócio como um todo.

Pontos a resolver
Eduardo Riedel fala então no futuro. E em dois pontos que considera cruciais para que o Brasil seja definitivamente Gigante no agronegócio: a questão ambiental e a questão fundiária (aqui envolvendo principalmente a questão indígena).

“A situação ambiental o Brasil precisa passar a limpo”. Para ele já está na hora de parar a discussão entre produtores e ecologistas. O Brasil tem todas as condições para avançar nessa questão sem problemas. É preciso modernizar a legislação, segundo ele. “E o Código Florestal é um passo importante”. Segundo ele, a reforma feita neste documento cria uma linha severa e garante a sustentabilidade. E mostra números como os 54% de manutenção de áreas preservadas no País e a consciencia existente hoje relativa à sustentabilidade.

Quanto à questão fundiária, tem mais preocupação, especialmente pela ação nociva da Funai que, segundo ele, busca interesses que nem os próprios índios têm. E isso tem sido comprovado em declarações recentes de caciques indígenas. Mas Ridel está otimista de que o bom senso nessa área vá persistir e os problemas sejam solucionados de forma a não comprometer o agronegócio que, afinal, é a principal força econômica do Brasil do futuro.

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