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Brasil e Argentina dividem produção de carros

19 MAR 10 - 04h:20
Vistos como um mercado unificado a partir da eliminação dos impostos de importação a partir do acordo do Mercosul, Brasil e Argentina vivem uma situação para lá de inusitada em termos de indústria automotiva. O mercado menor produz, em sua maioria, carros mais requintados e caros. Já o mercado que vende mais concentra modelos populares. Ou seja, a Argentina fabrica modelos médios – como Ford Focus e Citroën C4 – e picapes mais sofisticadas – Volkswagen Amarok e Toyota Hilux. E o Brasil absorve a maior parte das linhas de montagem de compactos. Uma distribuição de produções que varia de marca para marca e que funciona como uma espécie de complementação. Mas que também serve para seguir uma especialização mais tradicional de cada país. Ou, simplesmente, para baratear custos. Atualmente esse é o principal “appeal” para os produtos feitos no país vizinho. Apesar de o Brasil ter um mercado interno seis vezes maior que o argentino e ter uma infra-estrutura mais avançada, produzir por lá significa muitas vezes um custo mais baixo. Principalmente no que diz respeito a mão-de-obra. “Cada montadora tem uma estratégia. No caso do Brasil, o real valorizado encarece o produto e a Argentina leva vantagem pelo custo de mão-de-obra. Isso favorece na hora de fazer um cálculo econômico. E também é preciso ver o volume de veículos produzido e para onde serão enviados”, explica Marcelo Martin, supervisor executivo da SAE Brasil - Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade. Números Os volumes contam muito. O Brasil, por ter um parque industrial maior e mais estruturado, ganha em escala. O que explica o fato de a Argentina se especializar em alguns tipos de produtos. O país concentra a fabricação de muitos médios, como as linhas Focus, C4, Peugeot 307 e, futuramente, o Renault Fluence, além de picapes médias, como Hilux, Amarok e Ford Ranger. A conta é simples. Tratam-se de modelos que vendem menos, tanto no Brasil como na Argentina, e exigem menores quantidades fabricadas. Mas há também questões “históricas”. “Primeiro pela vocação. Na Argentina, as fábricas francesas sempre estiveram lá, bem antes de chegarem ao Brasil, e produziam veículos destes segmentos. Não faz sentido produzir os mesmos carros aqui”, justifica Luiz Carlos Mello, ex-presidente da AutoLatina e consultor do CEA - Centro de Estudos Automotivos. Existem também razões “diplomáticas”. Principalmente dos fabricantes franceses. A Renault, por exemplo, até hoje faz o Mégane de primeira geração na Argentina e este ano volta a abrigar um novo médio: o Fluence, que será lançado no fim do ano. No Brasil, ficam os produtos da plataforma B0 de compactos – Logan e Sandero –, além do utilitário Master e o Mégane de segunda geração – e ainda a veteraníssima Scénic. Na PSA Peugeot Citroën, na Argentina ficam os médios C4, 307, Partner e Berlingo, enquanto por aqui se concentram os compactos C3 e 207 – a exceção é o Xsara Picasso. “Temos fábricas nos dois países e buscamos um equilíbrio entre nossas operações. Para isso, as linhas de produtos do Brasil e da Argentina são complementares”, pondera Vincent Rambauld, presidente Brasil e América Latina da PSA e que, em abril, assume a presidência mundial da marca Peugeot. Mas é claro que existem outras várias exceções. Médios e picapes também são feitos aqui, como Chevrolet Vectra, Volkswagen Golf, Fiat Stilo, Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet S10 e Nissan Frontier, entre outros. E, na Argentina, compactos também são construídos. A Renault mandou a produção do Symbol para lá. A Fiat fez o mesmo com partes dos volumes do Siena e do Palio e a General Motors com o Agile. “Por aqui, as fábricas atuais não têm como expandir, a não ser com a construção de uma nova unidade. Além disso, foram desenvolvidos fornecedores na Argentina e até alguns fornecedores brasileiros abriram filiais na Argentina”, ressalta Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.
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