Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

SEM-TERRA

Brasiguaios prometem protestos mais radicais na quarta-feira em Itaquiraí

14 NOV 2010Por COM INFORMAÇÕES GAZETA NEWS14h:59

Esta quarta-feira (18) pode ser de protestos “radicais” de brasiguaios na região de Itaquiraí. A promessa foi feita durante protesto ocorrido na última sexta-feira na região, quando os cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais sem terra do MST fecharam a rodovia BR-163 reivindicando alimentação e um lugar com estrutura para a mudança.

Os brasiguaios vivem em cerca de 600 barracas de lona plástica às margens da 163 e sua retirada foi determinada pela Justiça sob a alegação de que as obras de duplicação da rodovia vão tomar toda a extensão dos 97 quilômetro ocupados.
Segundo o superintendente regional do Incra, Manuel Furtado Neves, "de momento não há mais negociação".

Ele explicou que "a parte que toca ao Incra já está feita. Foi viabilizada uma área de 8 hectares, perto do lugar onde é o acampamento. É provisória porque estamos a procura de terra para assentar os brasiguaios, eles têm prioridade", disse. "Outra saída seria a desapropriação de uma fazenda em Naviraí, vizinha de Itaquiraí, de 3.700 hectares, mas depende de liberação da Funai (Fundação Nacional do Índio), pois pode ser terra indígena", acrescentou.

A resistência de pelo menos metade dos brasiguaios é devido aos "perigos" que enfrentarão, no terreno provisório, situado dentro da Fazenda Santo Antônio, em Itaquiraí. O imóvel, com 16.926 hectares, foi comprada pelo Incra em 2007 por R$ 130 milhões. No mesmo ano, foi dividida em quatro assentamentos e em agosto deste ano transformado em palco de um sistema de corrupção, com prejuízos estimados em R$ 62 milhões para os cofres públicos, segundo investigação da Polícia Federal (PF).

Um grupo de 19 pessoas, entre elas funcionários do órgão, foi preso pela PF durante a Operação Tellus, acusado de participação ativa na venda de terras da reforma agrária. Também facilitavam a documentação dos imóveis comprados ilegalmente e privilegiava, mediante propinas, o assentamento de várias famílias. Esses crimes estão em uma séria de outros denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF).

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