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Bonecos contam história de amor impossível

5 JUN 10 - 20h:35

OSCaR ROCHA

 

Espetáculos do teatro de bonecos para adultos não são raros, mas pouco comuns. Hoje e amanhã, o público local poderá assistir a um exemplar desse segmento por meio de um dos principais grupos na arte da animação do País, o Sobrevento, fundado em 1986 no Rio de Janeiro e que conta no currículo com várias montagens, apresentadas no Brasil e exterior – no caso deste, incluindo Irã e Inglaterra, entre outros.

A peça será "Orlando Furioso", adaptação do poema épico feito no início do século 16 por Ludovico Ariosto. A trama original é exemplo do gênero novela de cavalaria, que destaca as aventuras de heróis da Idade Média. No caso desta obra, o enredo enfoca um amor impossível entre um cavaleiro cristão e uma rainha pagã, durante o reinado de Carlos Magno. As consequências do relacionamento fragilizaram os cristãos diante do poderio dos muçulmanos.

"É um texto clássico, que mostra a luta entre cristãos e mouros. Normalmente, as pessoas estão acostumadas com o teatro de bonecos para o público infantil, mas pelo tema e pela encenação que desenvolvemos, o resultado não é recomendado para crianças. Por utilizar bonecos, podemos obter algo que não é possível com atores, ultrapassamos o realismo. Há cenas brutais de lutas, com corpos dilacerados, que seriam impossíveis com atores de verdade", explica o diretor Luiz André Cherubini.

Com cerca de 90 minutos, o grupo manteve a estrutura original desenvolvida por formações teatrais do sul da Itália. É desta região que a montagem é importada, tanto no texto adaptado pelo clássico do início do período Moderno como na encenação, que utiliza os pupis, bonecos com 90 centímetros e pesando 3,5 quilos, e para movimentá-los são utilizados vergalhões de ferro. "Essa técnica surgiu na Sicília, há mais de 200 anos. O que fizemos foi trazê-la para o Brasil, quer dizer, colocar nossas influências, no fim, dando a impressão de que a técnica não surgiu na Itália, mas sim aqui", aponta o diretor.

Uma das preocupações do grupo não é reproduzir a técnica fielmente, assim como acontece na Itália. "Não temos a preocupação museológica e arqueológica em torno da técnica. Hoje, o pupi é visto, em sua acepção original, como algo antigo, cansativo. Na época em que surgiu era assistido como dinâmico e atual. O que queremos não é reproduzir o passado, mas o impacto que causava nas pessoas, por isso colocamos elementos modernos. Trabalhamos com um especialista italiano para a montagem".

O diretor explica que o grupo decide a técnica dependendo do tipo de espetáculo que fará. "Estudamos profundamente cada técnica, por isso mantemos vários espetáculos no repertório; não tem sentido trabalhar durante meses numa possibilidade e depois abandoná-la".

Em cena, quatro atores atuam e manipulam os bonecos, além de três músicos tocando ao vivo.

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