Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

Boa

Boa forma na terceira idade

13 JAN 2011Por Thiago Andrade00h:00

Entre os segredos da longevidade, as atividades físicas são consideradas primordiais para a qualidade de vida. Com o crescimento anual do número de idosos no Brasil, cada vez mais se ouve falar da necessidade de frequentar academias e praticar esportes entre as pessoas com mais de 65 anos. Mas não basta decidir da noite para o dia o que  é hora de deixar o sedentarismo de lado. Assim como tudo na terceira idade, os exercícios físicos precisam ser praticados com cuidado e precaução.

“Articulações, músculos, ligamentos e ossos passam por um processo natural de envelhecimento e enfraquecimento. Isso significa que um exercício malfeito pode acarretar danos sérios. O primeiro passo para começar qualquer atividade física é consultar um médico geriatra”, defende a educadora física Ediméia Pacheco de Oliveira, mestre em Pedagogia do Movimento Humano e Lazer. Entretanto, ela lembra que o papel do médico é constatar as condições em que se encontra a saúde e o físico do paciente. “Quem prescreve os exercícios mais adequados é o profissional de Educação Física”, alerta.

Respeitar os limites anatômicos, fisiológicos e neurológicos é um passo importante para evitar riscos na hora de praticar uma atividade física. Ediméia atende no Centro de Convivência do Idoso (CCI) Vovó Ziza e no Asilo São João Bosco, nos quais tem contatos com pessoas em condições diversas. “Lido com idosos extremamente ativos, que mantêm a rotina sem qualquer alteração, assim como outros que são cadeirantes ou que não têm o mesmo ânimo”, explica. Portanto, em razão do contato com as diferentes realidades, ela alerta que o trabalho com idosos precisa ser minucioso.

“Toda pessoa acima de 60 anos pode, ou melhor, deve praticar  alguma atividade. Mas deve-se buscar locais que oferecem exercícios físicos adaptados, que compensem as debilidades desta fase da vida”, pontua Ediméia, que é professora de voleibol adaptado. Exercícios rápidos, por exemplo, não devem ser praticados sob risco de lesões. Para a educadora física, o principal nesta idade é fortalecer a musculatura por meio de exercícios de força e intensidade. “A musculação se tornou muito popular, mas ela também apresenta riscos sérios quando feita sem adaptação. Eu indico aos pacientes atividades na água, como hidroginástica, e dança”, considera.

Hidroginástica é ideal
Para a professora de educação física Arethusa Mussi Salomão de Avelar, pós-graduada em Atividades Para Grupos Especiais, a hidroginástica, por ser feita dentro d’água, diminui os impactos e permite que idosos com grandes restrições possam fazer os exercícios. “Pessoas com artrose, reumatismo, problemas na coluna, que dificilmente poderiam participar de aulas de musculação ou fazer simples caminhadas, podem se exercitar na piscina”, aponta a professora.

A prática favorece o emagrecimento geral, fortalecimento e resistência muscular, condicionamento físico geral, melhora da flexibilidade, melhora do equilíbrio e da coordenação, diminuição do estresse e contribuição para a reabilitação física.
No caso de Maria Haidamus Monteiro, os exercícios físicos realizados dentro da piscina permitiram que ela abandonasse a bengala e voltasse a caminhar normalmente. Praticante de hidroginástica há 12 anos, ela lembra que quando chegou à academia, mal podia se mover. “Meu médico me indicou e comecei a assistir às aulas. Desde então, não parei. Senti rapidamente o resultado e em pouco tempo já havia abandonado a bengala”, comemora, animada, a senhora de 82 anos.

De acordo com Arethusa,  a hidroginástica funciona como porta de entrada para outras práticas. “Por oferecer fortalecimento muscular e ser indicada para todos, ela permite que os idosos reforcem a musculatura, permitindo que, posteriormente, façam caminhadas, musculação e até mesmo corridas”, detalha a professora, que atende mulheres com idades entre 60 e 88 anos. Entretanto, como constatou durante o período de docência, a procura de atividades físicas por parte dos homens ainda é muito pequena. “Tenho apenas dois homens acima dos 60 anos fazendo aula aqui”, lamenta.

A hidroginástica tem como vantagem para praticantes na terceira idade, além da redução do impacto físico, o caráter lúdico, que favorece até pessoas em quadros depressivos. “O grupo de senhoras que faz aula de hidroginástica é bastante unido. Elas tornaram-se amigas. Existe uma preocupação social no trabalho que desenvolvemos”, argumenta a professora.
Arethusa finaliza lembrando que o número de profissionais da Educação Física especializados em idosos cresceu muito nos últimos anos e não é difícil conseguir atendimento de qualidade para quem tem mais de 60 anos.

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