sábado, 21 de julho de 2018

Vaidade feminina

Beleza infantil

17 JAN 2011Por SCHEILA CANTO00h:00

 

Desde os 3 anos Isadora acompanha a mãe ao salão de beleza e, mesmo sendo bem pequena, já tinha noção de vaidade. Pedia para escovar os cabelos, pintar a unhas dos pés e das mãos. Agora, aos 6 anos, continua tendo a mãe como modelo, mas já ousa escolher a decoração artística das unhas. Elizângela Horta Almeida conta que é preciso podar as vontades da filha. “Se eu deixar, ela quer ir toda semana ao salão, usar além do gloss na boca, lápis e rímel. Mas, acho que ela é muito novinha e é necessário estabelecer alguns limites para que não pareça uma adulta em miniatura”, conta a corretora e administradora de empresas.
 
A beleza e a vaidade femininas estão documentadas nas fábulas infantis. Elas, desde pequenininhas, têm vontade de se maquiar, pintar as unhas, cuidar dos cabelos, ficar bonitas. Já os meninos sofrem influência dos pais e, é claro, também da mídia ao imitarem ídolos como Justin Bieber, Luan Santana e alguns jogadores de futebol, como Neymar. Para dar conta desse público, um novo segmento de mercado vem conquistando muitos clientes: o da beleza infantil.
 
A jornalista Janaína Ivo, 30 anos, lembra que acompanhava sua mãe ao salão desde pequena. A mesma cabeleireira cuida dos seus cabelos até hoje e agora também da filha Lara, 6 anos. “Lembro-me que aos 3 anos ela começou a pedir para fazer as unhas, escovar os cabelos. Como o cabelo dela é enrolado, ela adora alisar. Mas também gosta de trança, coque, tudo que diz respeito a penteados”, conta Janaína, aos risos. 
 
A jornalista se diverte com a vaidade da filha e diz que admira o processo pelo qual a menina inicia a formação da sua personalidade. “Ela tem uma paciência que só pode ser nata da mulher. Passa horas no salão sem reclamar, adora compras e ama experimentar roupas. Ontem mesmo foi ao salão para fazer as unhas e passou o dia todo com rolinho nos cabelos para não estragar a escova”, exemplifica.
 
Exigentes
No dia a dia a vaidade das meninas também fica evidente. Elas sabem que precisam arrumar os cabelos depois de lavá-los e não se importam em ter de ficar mais tempo para alisar, secar ou fazer cachinhos nos dedos, com gel e creme de pentear, além de passar um tempinho escolhendo os acessórios para complementar o visual.

As crianças estão mais exigentes e querem cuidar da aparência, atestam as mães Janaína e Elizângela. Segundo elas, suas filhas não vão ao salão apenas para cortar o cabelo. Elas já sabem escolher outros serviços como hidratação, penteados, maquiagens, unhas decoradas.

Novo estilo de vida

A presença das crianças em locais que antes só atendiam adultos é cada vez mais constante e tem a ver com mudanças no estilo de vida. De acordo com os especialistas, as mães buscam introduzir as crianças muito cedo a cuidados que antes só iniciavam na adolescência.
Apesar de disponibilizarem – também para crianças – os próprios cabeleireiros, ressaltam sobre o cuidado que os pais devem ter antes de permitirem às crianças submeterem-se a tratamentos químicos como alisamentos, tinturas, luzes, etc.
 
Quanto aos meninos, eles são os maiores frequentadores do salão, mas só fazem isso pela necessidade maior de cortar os cabelos. Por outro lado, as meninas são ligadas aos outros serviços como penteado, maquiagem, etc. 
 
De acordo com os psicólogos, a célebre frase ”Espelho, espelho meu...” pode aprisionar as crianças num ideal narcísico e infantil. Elas não verão a diversidade de beleza que não é apenas estética, mas interna, subjetiva, nas relações afetivas e amorosas diante da vida.
Embora a nova geração de crianças esteja antenada com o que acontece no mundo,  ainda se espelha nos pais. E todo mundo sabe: criança adora imitar gente grande. As menininhas copiam a mãe, os garotões querem ser iguais ao pai. E isso faz parte do crescimento da criança. A fase de imitação é saudável, até que a própria criança possa ser ela mesma, dentro de suas necessidades.
 
Os pais devem estar atentos ao limite. As idas aos salões devem ser encaradas pela criança como uma grande brincadeira, que alia beleza e higiene. As crianças precisam estar com os cabelos cortados, principalmente a franja, para não atrapalhar a visão e o aprendizado na escola. Devem estar sempre com as unhas limpas, pois as doenças estão aí.
 

Quando essa vaidade toda passa a ser levada a sério, o alerta dos pais deve acender. Os psicólogos informam que cuidar-se deixa de ser saudável na medida em que esta criança só vive para isso: para o salão de beleza, para os cosméticos, para a imagem, sem poder notar outras necessidades afetivas, a de crescimento, como estudar, ter amigos, construir valores éticos e morais.

Cuidado com os produtos
Perfume, esmalte, gel de cabelo, maquiagem, creme hidratante, xampu e condicionador... A lista de produtos infantis não para de crescer. Os cosméticos destinados ao público infantil têm formulação especial para não agredir a pele e os cabelos das crianças, além de suaves fragrâncias. É fundamental que os produtos utilizados estejam de acordo com a idade.
A maquiagem deve ser evitada a qualquer custo. Se isso não for possível, prefira os produtos infantis, que saem com mais facilidade na água. Opte por marcas conhecidas e, mesmo sendo antialérgica, faça o teste na criança.
 
Os esmaltes não deveriam fazer parte da brincadeira, pois têm solventes em sua composição. Mas as menininhas não precisam chorar. Há no mercado esmaltes desenvolvidos para crianças e que saem com água e sabão.
 
Cuidado com a composição 
Quando o produto cosmético é para criança, a legislação preconiza muito mais cautela e severidade para a escolha dos ingredientes que compõem as fórmulas. Sim, é duro um leigo entender os nomes químicos presentes nas composições dos produtos, mas cada dia mais é essencial se autoeducar para ter certeza de que o que seu filho (a) usa não vai fazer mal agora e nem no futuro, no uso cumulativo durante a vida, afirma Joyce Rodrigues, farmacêutica bioquímica e cosmetóloga.  
 
As empresas fabricantes devem levar em conta a segurança dos ingredientes e a reologia da formulação são vitais. “Se você pensar na pele do bebê, vai verificar que o pH da pele dele é prevalentemente alcalino, devido à presença do vernix caseoso, uma substância graxa, esbranquiçada, que recobre todo o bebê ao nascer. Dentro das 24 horas seguintes ao parto, o pH cai notoriamente, tendendo a uma estabilização por volta do primeiro mês de vida em valores pouco abaixo de 6, portanto discretamente ácido; estou falando tudo isso só para que se entenda porque é tão importante conhecer profundamente a estrutura da pele do recém-nascido, do bebê e da criança e verificar o melhor tipo de formulação para cada etapa de desenvolvimento da vida”, ressalta Joyce Rodrigues. 
 
Ativos capilares para crianças  
Os tensoativos de extrema suavidade, como os sarcosinatos; nos derivados e frações ativas, obtidas de plantas cultivadas sem defensivos tóxicos e extraídos biotecnologicamente, sem solventes maléficos. 
 
Tudo isso parece grego? Então comece já a ler a bula de todos os produtos adquiridos para uso das crianças e verifique que muitos desses “palavrões” são importantes na fórmula do produto cosmético, afirma a farmacêutica bioquímica. 
 
Hidratantes e sabonetes seguros  
Vale a mesma premissa: ingredientes seguros, não parafínicos, não etoxilados e não propoxilados. São bem-vindos os bloqueadores físicos de última geração, como o óxido de zinco revestido com silicones especiais, as vitaminas A, C, D e pró-vitamina B5, além de óleos e manteigas vegetais obtidos por prensagem a frio.  
 
E as maquiagens? 
Elas também exigem ativos específicos!  Além da menor paleta de opções entre pigmentos e micas seguros, há a questão dos derivados parafínicos, que devem ser sempre evitados. Escolha somente itens fabricados por empresas idôneas e reconhecidas, não caia na tentação de comprar brinquedinhos que pintam o rosto sem saber a procedência do produto. Verifique se a fórmula é dermatologicamente testada e direcionada especialmente para crianças. 

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