Terça, 20 de Fevereiro de 2018

TRAFICANTE

Beira-Mar é transferido para presídio do PR

19 DEZ 2010Por Vânya Santos04h:00

O narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido por volta das 10h30min de ontem do Presídio Federal de Campo Grande para Catanduvas, no Paraná. Coincidência ou não, ele foi remanejado de unidade depois que a polícia do Rio de Janeiro passou a investigar o conteúdo de uma carta que teria sido escrita e enviada por ele, de dentro do presídio da Capital, para comparsas cariocas. Desde 2001, quando foi capturado na Colômbia, essa é a 12ª vez que o narcotraficante é transferido de presídio.

Cerca de 20 agentes penitenciários federais, em cinco viaturas, escoltaram o traficante até a Base Aérea de Campo Grande. De lá, agentes de Brasília embarcaram junto com o narcotraficante num avião bandeirante da Força Aérea Brasileira (FAB), com destino a Catanduvas.

Agentes do Presídio Federal de Campo Grande negaram que Beira-Mar tenha sido transferido em razão da carta e justificaram que é natural que de tempo em tempo o preso seja transferido de um presídio para outro. Esse rodízio de unidade prisional acontece para desarticular qualquer estratégia criminosa que tenha sido criada a partir da presença do interno na cidade.

 Condenações
Embora a legislação brasileira permita que o interno fique preso por apenas 30 anos, o traficante, que começou a vender droga com menos de 20 anos, já foi condenado a mais de 100 anos de prisão. Ele é apontado como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho e tem reconhecimento nacional por isso.

Em novembro do ano passado, Fernandinho Beira-Mar foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato de João Morel, que comandava o tráfico de drogas na região de fronteira do Brasil com o Paraguai. O crime aconteceu no dia 21 de janeiro de 2001, na cela 38 do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande, quando Morel foi assassinado com golpes de faca artesanal. A autoria foi atribuída ao interno Odair Moreira da Silva e outros sete presos, sendo que três deles já morreram.

 Transferências
Beira-Mar foi preso em 2001, na Colômbia, e desde então já esteve em cadeias de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Maceió. Há pelo menos quatro anos está no regime das penitenciárias federais. Em 2006, esteve em Catanduvas, foi transferido para Campo Grande em 25 de julho de 2007 e agora retornou para o Paraná.

Em julho do ano passado, a Justiça Federal informou à Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro sobre o vencimento do prazo de permanência do traficante em Campo Grande, mas em novembro do mesmo ano o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o traficante permaneceria detido na Capital. A Justiça prevê que presos fiquem em penitenciárias federais por 360 dias, prorrogáveis por igual período.


 

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