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RELATÓRIO

BC tenta frear, mas crédito segue alto

29 MAR 11 - 08h:37ESTADÃO

 Apesar das medidas tomadas nos últimos três meses pelo Banco Central (BC) para reduzir o ritmo do crédito, pesquisas mostram que os financiamentos continuam num patamar alto, insuficiente para conter o consumo e a escalada da inflação. O BC deve divulgar hoje um relatório com os resultados do crédito em fevereiro, com números ainda altos.

Levantamento preliminar feito pela Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) com seis grandes instituições financeiras indica que o saldo dos empréstimos para empresas aumentou 1,8% em fevereiro em comparação com janeiro. Foi a maior expansão mensal desde novembro de 2010.

Nos financiamentos ao consumidor, houve um acréscimo de 1,2% no saldo do mês passado em relação a janeiro, o mesmo ritmo de expansão registrado nos dois últimos meses. Quando se avalia a média diária, já descontados fatores sazonais, a pesquisa mostra que o volume de empréstimos em fevereiro cresceu 0,4% em relação a janeiro para empresas e recuou 2,3% no caso dos consumidores.

"Não houve retração no crédito na dimensão esperada pelo BC", diz o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, ponderando que é cedo para afirmar que é uma tendência. Os números do BC de janeiro mostraram que o crédito crescia cerca de 20% quando se leva em conta um período de 12 meses. Sardenberg acredita que esse ritmo foi mantido ou até ligeiramente superado no mês passado.

Se os resultados da Febraban forem confirmados, o BC terá um sério problema pela frente. Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que crescimento do crédito acima de 15% seria "inadequado" para trazer a inflação para níveis desejáveis. Fontes de mercado dizem que o BC já estaria preparando um novo pacote de aperto no crédito.

Outra pesquisa do setor financeiro confirma os resultados da sondagem da Febraban. Segundo a Serasa Experian, o número de consumidores interessados em obter um empréstimo aumentou 16,3% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período de 2010. Foi praticamente o mesmo ritmo de crescimento de dezembro de 2010 na comparação com 2009 (16,4%). A pesquisa considera as consultas feitas por CPF de clientes de lojas.

"Por enquanto, o governo não quis pisar no breque, só tirou o pé do acelerador", afirma o economista da ACSP, Emílio Alfieri, em relação ao crédito ao consumidor. Ele projeta alta de 6% no número de concessões neste trimestre em relação a 2010. Em dezembro, a elevação foi de 10,4%.

"O efeito das medidas para conter o crédito foi limitado", afirma Fábio Ramos, economista da Quest. Sustentada pelo emprego e pela renda, a procura por crédito continua muito forte, diz ele, ressaltando que os bancos ainda oferecem empréstimos com prazos dilatados.
 

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