Quarta, 21 de Fevereiro de 2018

Perspectivas 2011

BC projeta aumento de 4,5% no PIB e índice de inflação de 5%

23 DEZ 2010Por Fabio Graner e Fernando Nakagawa (AE)03h:00

O Banco Central (BC) projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff. A previsão consta do Relatório Trimestral de Inflação relativo ao quarto trimestre divulgado ontem. No documento, a estimativa para o crescimento da economia em 2010 manteve-se em 7,3%, exatamente como estimado na edição do relatório do terceiro trimestre.

O BC explica que parte do forte crescimento de 2010 é reflexo, ainda, do "efeito do carregamento estatístico decorrente das taxas de crescimento verificadas no segundo semestre de 2009". Sobre a taxa mais fraca em 2011, o "comitê avalia que a economia tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo".

A previsão oficial do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 subiu. A estimativa central no cenário de referência subiu de 4,6% para 5%. Para o IPCA no ano de 2012, o BC divulgou a primeira estimativa, que está em 4,8%. As estimativas foram construídas pelo BC no cenário de referência que prevê manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,70 por dólar e a taxa Selic em 10,75% ao ano. No relatório anterior, de setembro, as estimativas haviam sido construídas com câmbio de R$ 1,75 por dólar e juro básico de 10,75%.

Também subiu a previsão do BC para a inflação que leva em conta as previsões dos analistas para uma série de indicadores, no chamado cenário de mercado. Para 2011, o IPCA avançou de 4,6% para 4,8%. Para 2012, foi construída pela primeira vez a estimativa para o índice, de exatos 4,5%. Nesse cenário, o BC constrói as estimativas de aumento de preço conforme as estimativas para o dólar e juro no horizonte das previsões. O câmbio esperado para o fim de 2011, por exemplo, é de R$ 1,75 por dólar e para o fim de 2012, de R$ 1,80.

Juros
O Banco Central admite que o cenário econômico piorou desde a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação de setembro. Na edição de dezembro do documento, divulgada ontem, os diretores da instituição afirmam que "o balanço de riscos associado ao cenário prospectivo para a inflação evoluiu desfavoravelmente desde a divulgação do último relatório". "Isso se manifesta, por exemplo, na elevação nas projeções de inflação", cita o documento.

O comitê afirma que, no âmbito externo, o principal risco está no preço das matérias-primas (commodities). A chance de contaminação da economia brasileira por aumento desses preços "tem se exacerbado pelo processo, ainda em curso, de aumento da liquidez global".

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