Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

INFLAÇÃO

BC analisa cenário atual como incerto e desfavorável

27 JAN 2011Por VEJA ONLINE16h:01

A ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada nesta quinta-feira, reconhece que o cenário para a inflação se deteriorou desde a reunião de dezembro. A afirmação consta no parágrafo 24 do primeiro documento produzido sob a presidência de Alexandre Tombini no BC. "De fato, no último trimestre do ano passado, a inflação foi forte e negativamente influenciada pela dinâmica dos preços de alimentos, em parte, reflexo de choques de oferta domésticos e externos", afirma o documento. Na última reunião do Copom, a Selic (a taxa básica de juros da economia) subiu de 10,75% para 11,25% ao ano.

O BC reconhece os riscos relevantes associados ao descompasso entre a oferta e a demanda de produtos no país. Entre eles, a instituição ressalta o aumento do nível de emprego da população, que deixa pouco espaço para a ociosidade do setor produtivo e afeta diretamente o custo da mão de obra. "Em tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos nominais de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade", explica a ata.

Apesar do alerta, o documento aponta para a sazonalidade da inflação característica no primeiro trimestre, bem como concentração atípica de reajustes de preços administrados no período, como aluguel, condomínio e mensalidade escolar.

Na conclusão da ata, o Copom reconhece que o ambiente econômico atual guarda um nível de incerteza "acima do usual" e que há riscos que poderão impedir o alcance da meta de inflação estabelecida pela autoridade monetária (de 4,5% ao ano). O documento também cita fatores externos, como a "introdução de estímulos fiscais nos Estados Unidos e seus reflexos sobre os preços de ativos", que podem retardar ainda mais a recuperação das nações desenvolvidas e afetar de forma ambígua o cenário internacional.

Por último, o documento enaltece as ações macroprudenciais tomadas pelo governo para conter o avanço inflacionário, como o encarecimento do crédito de longo prazo para pessoa física e o aumento do compulsório dos bancos. Segundo o BC, tais medidas "ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços".

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