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Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

“Bastardos inglórios” é filme maduro e bem resolvido

8 MAI 2010Por 20h:14

São Paulo

 

A fama de Quentin Tarantino vem de longe, desde 1992, quando estreou na direção de um longa com "Cães de aluguel", um filme que ainda soa inventivo mais de dez anos depois. Mas, naquela época, ele era mais queridinho dos cinéfilos. Hoje, o nome de Tarantino é reconhecido numa esfera mais ampla, principalmente pelo frescor no estilo que ele traz ao cinema moderno. "Bastardos inglórios", que chega DVD, é seu filme mais maduro e bem resolvido, apoiando-se no excelente texto – uma das marcas do diretor –, mas principalmente pelas atuações marcantes e a complexidade narrativa.

Pegando emprestado o nome em inglês do épico de guerra italiano "Quel maledetto treno blindato" (1978), "Bastardos inglórios" acompanha um grupo de militares norte-americanos que, liderados pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), resolvem matar nazistas na França ocupada, durante a Segunda Guerra Mundial.

A premissa é bem simples e parte daquele famoso princípio de que os EUA sempre se consideraram policiais do mundo. Aqui, eles também são. Tomando as dores de milhões de judeus que sofriam estando na mira do regime nazista, resolvem partir para o ataque sem maneirar na violência. Claro, maneirar na violência não é com Tarantino, que leva elementos bem americanos aos territórios europeus neste seu sétimo longa-metragem – como o soldado conhecido como Urso Judeu (Eli Roth), que usa um taco de beisebol para matar nazistas.

Aliás, nada mais americano que o sotaque de Brad Pitt, totalmente sulista e extremamente divertido. O personagem que fica no encalço dos bastardos é o cínico coronel Hans Landa (Christoph Waltz), detetive conhecido como "Caçador de judeus", que age à procura de judeus escondidos na França a serviço da SS. Waltz – ator alemão premiado em Cannes por conta deste seu primeiro papel no cinema norte-americano –, o antagonista trava um duelo memorável com Pitt, o protagonista. Os personagens estão juntos em cena durante poucas, mas bastante pontuais, cenas do longa.

O duelo é principalmente apoiado por excelentes atuações, dando base ao positivo resultado final ao filme. Tanto, que é difícil não ficar simpático ao antagonista: Waltz constrói um personagem que, embora conduzido pela crueldade de um regime político como o nazismo, tem carisma e conquista o público com sua ironia.

O roteiro de "Bastardos inglórios" levou dez anos para ficar pronto e esse tempo de maturação é refletido na tela. Tarantino mistura figuras reais – como Adolph Hitler (Martin Wuttke) e Joseph Goebbels (Sylvester Groth) – aos fictícios, criando uma trama ficcional capaz de prender o espectador. E, como já é de praxe, Tarantino mistura cenas de extrema violência ao humor, dando um ar mais palatável, digamos, ao sangue derramado.

Tarantino sempre consegue envolver o público a ponto de fazer com que a platéia torça por seus personagens. Assim como em "A prova de morte" – seu longa anterior, de 2007 –, o diretor entrega o que o público quer, culminando num final digno de aplausos. A conclusão de "Bastardos inglórios", aliás, traz uma bela homenagem ao cinema, o que Tarantino já faz ao inserir obras e referências cinematográficas em seus filmes. Mas, no caso de seu mais recente trabalho, as referências a figuras importantes da história do cinema são mais recorrentes e pontuais, como no uso de composições de Ennio Morricone, mestre da trilha sonora.

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