Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

Segurança

Bancos elevam limite de saques noturnos

30 ABR 2011Por Estadão09h:48

Treze anos depois de os bancos limitarem a R$ 100 os saques das 22h às 6h, por questões de segurança, o valor foi atualizado para R$ 300. E vem sendo adotado nas últimas semanas por várias instituições.
Santander, Banco do Brasil e Bradesco confirmam que elevaram o limite, seguindo orientação dada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) por circular - não se trata de uma obrigatoriedade. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, manteve o limite de R$ 100. Já o Itaú Unibanco não respondeu se ampliou o valor, alegando motivos de segurança. Para especialistas ouvidos pela reportagem do Estado, a alteração poderá motivar mais ações criminosas. Procurada, a Polícia Militar não se manifestou.

O saque na madrugada é feito especialmente em caixas 24 horas disponíveis em supermercados e postos de gasolina. A maioria dos caixas eletrônicos das agências fica disponível só até o início da noite. Em São Paulo, o acesso é, em geral, até as 22h.

O limite de R$ 100 surgiu em 1998. Na época, o saque tinha valores diversos, dependendo da conta do cliente. Assaltos na saída de caixas eletrônicos e sequestros relâmpagos aumentaram. Em alguns casos, a vítima era dominada de dia e, após um primeiro saque, tinha de esperar até a noite para nova retirada.

Segundo a Febraban, o limite de R$ 100 também atendia a um pedido do governo federal, que se via às voltas com a questão do apagão energético. Em nota oficial, a federação afirmou que o reajuste deste ano para R$ 300 "é o primeiro desde que o procedimento foi criado e atende a solicitação de clientes bancários". Nesses 13 anos, a inflação foi um pouco menor que o reajuste sugerido pela Febraban - pelos números oficiais, R$ 100 de 1998 equivalem hoje a R$ 228.

Para Hugo Tisaka, da NSA Brasil, seria ideal criar critérios. Caixas em shoppings, por exemplo, poderiam oferecer R$ 300, enquanto aqueles com entrada mais fácil da rua continuariam com R$ 100. "Isso dificultaria o trabalho dos olheiros", diz. Roberto Costa, da empresa de consultoria The First, afirma que R$ 300 é uma quantia alta e isso "vai atrair bandidos". Em 11 dias deste mês, cinco pessoas já morreram em ocorrências de roubo a caixas eletrônicos na cidade.


 

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