Terça, 20 de Fevereiro de 2018

exemplo prático

Banco ainda tem problema mesmo sem consignado

19 DEZ 2010Por Leandro Modé (AE) 05h:05

Trigésimo maior banco brasileiro, com ativos de R$ 9,1 bilhões, o Pine é um exemplo prático do problema que a contabilização das cessões de carteira de crédito para outras instituições pode causar. Há cerca de três anos, deixou de conceder empréstimos consignados. Mas, até hoje, seus balanços sofrem baixas por causa de operações cedidas no passado para outras instituições.

O Pine fez referência ao problema no balanço do terceiro trimestre. "O banco ainda incorre em despesas relacionadas ao negócio de crédito consignado, que ocorrerão até o vencimento das operações cedidas com coobrigação", diz um trecho do texto de apresentação do balanço. "As principais despesas são relacionadas a pré-pagamentos, provisão para créditos de liquidação duvidosa e seguro prestamista. Tais despesas apresentam redução contínua a cada trimestre."

Procurado pela reportagem, o banco emitiu uma nota na qual afirma que "as operações de crédito consignado possuem, em média, prazos que ultrapassam três anos e, por isso, ainda geram impactos marginais no balanço, mesmo após a descontinuação total do negócio no início de 2008". "Em 30 de setembro de 2010, o saldo remanescente da carteira de crédito consignado cedida com coobrigação era de R$ 192 milhões, o que representa apenas 3,4% da carteira de crédito total", diz o texto.

Um banqueiro explica que, para fugir do problema, muitas instituições recorrem ao chamado ‘efeito bicicleta’. Ou seja, ainda que não vejam grandes vantagens numa determinada operação, continuam a fazê-la para evitar a contabilização das perdas. Com isso, evitam o que tem ocorrido com o Pine.

As cessões de crédito cresceram no auge da crise global. O Banco Central (BC) chegou a adotar medidas para estimulá-las. Era uma forma de garantir recursos para bancos pequenos e médios, que sofriam com a falta de liquidez. A prática, que naquele momento chegou a ser quase generalizada, hoje é menos intensa. Alguns bancos não fazem cessões. Preferem se capitalizar com outras operações.

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