Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

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Balanço cultural 2010

28 DEZ 2010Por Thiago Andrade00h:00

O ano chega ao fim sem grandes novidades para a cultura. Esta é a visão do presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Roberto Figueiredo. Entretanto, alguns grandes projetos de formação, como o Programa Interação, parceria entre a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e o Ministério da Cultura (MinC) e a oficina de produção audiovisual Mídias Contemporâneas Narrativas Populares, realizados no decorrer de 2010, propiciaram aos profissionais especialização em diversas áreas, favorecendo o fortalecimento cultural do Estado.

Mas, segundo Roberto, nada foi tão importante quanto a projeção que Campo Grande ganhou no cenário nacional. “Conseguimos 15 pontos de cultura na cidade, financiados pelo MinC, e também fomos premiados no Programa Petrobras Cultural (PPC) 2010 com o Projeto Descendo o Sarrafo – Choro Opus Trio e Convidados, que gravará músicas instrumentais do compositor Amintas José da Costa, o famoso Sarrafo”, descreve Roberto. Segundo ele, com ações como essa a cidade começa a se destacar em um cenário no qual antes não recebia a menor atenção. Esta é a primeira vez que a Fundac se inscreve no Petrobras Cultural.

Levando a cabo propostas do MinC em relação à democratização da cultura, o Caminhão da Cultura idealizado pela Fundac foi outro importante destaque em 2010. “Quando começamos a circular, muitos bairros nunca haviam recebido espetáculos de dança ou teatro, cinema ou mesmo atrações musicais. Desde regiões periféricas às mais centrais, o caminhão abriu espaço para que um público esquecido tivesse acesso à arte e ao entretenimento de qualidade, além de conhecer artistas regionais importantes”, descreve Roberto.

Circulando desde abril, o veículo munido de palco, tela para cinema, espaço para figurinos, entre outros, visitou bairros como São Conrado, Moreninhas e José Abrão.
“As preocupações com o patrimônio histórico da Capital também foram mantidas pela prefeitura e continuamos com o processo de tombamento de pontos históricos, inclusive áreas do centro da cidade e árvores centenárias localizadas nas avenidas Afonso Pena e Mato Grosso”, ressalta Roberto. O processo iniciado em 2009 ganhou força neste ano, demonstrando a importância de continuidade com medidas de cuidado com o passado e a memória.

Entretanto, apesar do desenvolvimento cultural que segue os rumos de crescimento da cidade e do Estado, algumas áreas permanecem com problemas. O teatro e o cinema, que segundo Roberto, sempre foram áreas fragilizadas, continuam enfrentando dificuldades, seja pela falta de locais adequados para apresentações de espetáculos, seja pela dificuldade de conseguir financiamento para a produção audiovisual, que ainda é uma das áreas mais caras de produção.

“A falta de espaços teatrais é um problema de longa data, que ainda não encontrou uma forma de ser resolvido. Contamos apenas com um teatro que pode ser utilizado pelos artistas da cidade, o Teatro Aracy Balabanian, que continua em reforma”, critica Roberto, que também é diretor do grupo teatral Senta que o Leão é Manso.
Com o orçamento municipal destinado para a cultura, o presidente da Fundac também lembra que é impossível criar uma produção consistente de cinema na Capital.

Por sinal, o Plano Municipal de Cultura completa seu primeiro ano e está sendo colocado em prática “bem devagar”, aponta. “Começamos a movimentação para a aplicação do plano, com a criação das câmaras setoriais. Em relação ao que se prevê financeiramente, o plano não foi aplicado, pois os orçamentos já haviam sido aprovados. Para o ano que vem estamos colocando em pauta essas duas questões, que afetarão o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura e o Programa Municipal de Fomento ao Teatro”, descreve Roberto. Como aponta o presidente, 2010 foi um ano sem grandes acontecimentos para a cultura, no qual se mantiveram medidas iniciadas em anos anteriores.

Alguns destaques
Apesar de o ano não ter sido tão movimentado na área cultural, alguns projetos e acontecimentos marcaram Mato Grosso do Sul em 2010. Entre eles, a publicação de dois livros do poeta Manoel de Barros: “Menino do mato” e “Poesia completa”, ambos lançados pela Editora Leya. Apesar de ter nascido em Cuiabá, o escritor passou a maior parte da vida no Estado e, com os lançamentos neste ano, figurou em jornais e revistas de todo o País, sendo, inclusive, homenageado com o Prêmio Artista Bradesco Prime 2010, concedido pela revista “Bravo!”.

Mato Grosso do Sul também ganhou o País com o Projeto Brasil Canta MS, que levou artistas do Estado para apresentações em espaços nobres de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, São José – localizada a 15 quilômetros de Florianópolis – e Porto Alegre. Com recursos provenientes do Ministério da Cultura e apoio do Governo do Estado, totalizando mais de R$ 450 mil, artistas como Jerry e Geraldo Espíndola, Eduardo Martinelli, Adriano Magoo e Marcos Assunção viajaram pelo Brasil levando a cultura e a música do Estado.

O meio audiovisual também se animou com a oficina de produção audiovisual Mídias Contemporâneas Narrativas Populares, promovida pelo Pontão de Cultura Guaicuru com recursos do programa Oi Novos Brasis, entre junho e dezembro. Ministraram aulas profissionais conhecidos do meio cinematográfico e televisivo brasileiros, como a produtora Mônica Schmiedt, o roteirista David França, a atriz Laura Limp e o diretor Joel Pizzini. Ao final do projeto, que reuniu profissionais de diversas áreas, foram produzidos dois filmes, “Fim da linha” e “Enterros”, ambos em fase de finalização.

Encerrando os grandes eventos de 2010, a primeira edição em Campo Grande do Festival Internacional de Teatro de Objetos (FITO) contou com a participação de companhias teatrais que utilizavam canecas, tesouras, cabos e todo tipo de objeto para contar histórias. Também houve show do músico Tom Zé. Promovido pela Fiems, por meio do Sesi, o festival trouxe à Capital artistas de outros Estados, como Minas Gerais e São Paulo, e outros Países, como Argentina e França.

Programa Interação
Projeto inédito em Mato Grosso do Sul, o programa promoveu 33 cursos na Capital com profissionais de grandes centros como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, entre outros. A primeira etapa se estendeu entre março e julho, tendo como objetivo formar e atualizar profissionais nas áreas de música, teatro, dança, circo, artes plásticas, audiovisual e fotografia. Aqueles que passaram pelo curso se tornaram multiplicadores, ministrando aulas na segunda etapa – que aconteceu entre setembro e novembro – nas cidades de Bonito, Corumbá, Coxim, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Três Lagoas.

“Sempre tivemos uma grande falha na área de capacitação e formação de agentes culturais, portanto, um programa como esse é muito necessário. Os profissionais que convidamos para ministrar as aulas comentaram sobre o ineditismo da medida”, explica Soraia Ferreira Rodrigues, gerente de difusão cultural e coordenadora do Programa Interação. 

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