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saúde

Bactéria já matou 22 na Europa; broto de feijão pode ser origem

6 JUN 2011Por folha00h:00

O Instituto Robert Koch (IRK) divulgou neste domingo que o número de mortes por complicações causadas pela bactéria Escherichia coli (E. coli) subiu para 22 (21 na Alemanha e um na Suécia) e que os casos confirmados somam 1.526, e autoridades disseram que a fonte do surto pode estar em brotos de feijão.

Autoridades do governo apontaram brotos de feijão como a causa do surto, e mais detalhes sobre as investigações devem ser anunciados numa coletiva de imprensa na noite deste domingo. Gerth Hahne, porta-voz da secretaria de Agricultura do Estado da Baixa Saxônia, adiantou ao jornal britânico "Guardian" que um alerta seria enviado imediatamente para que as pessoas evitem comer brotos de feijão na Alemanha.

Reinhard Burger, diretor do IRK, disse que do total de infectados 627 sofrem da síndrome hemolítico-urêmica, ou HUS e que os casos de contaminação podem subir a 2.500 caso outras suspeitas sejam confirmadas.

Em coletiva, o ministro da Saúde alemão, Daniel Bahr, defendeu a gestão da crise e disse que Hamburgo reagiu mais rápido e de forma mais eficiente do que em outros surtos de E. coli já registrados em outros países.

A oposição, no entanto, acusa o governo e diz que a crise poderia estar sendo controlada de forma mais enérgica.

Também neste domingo especialistas disseram ao jornal "Welt am Sonntag" que a bactéria pode ter se espalhado a partir de uma unidade de biogás. Durante o processo de fermentação de biogás, frequentemente novas bactérias se desenvolvem.

HOSPITAIS ALÉM DO LIMITE

Mais cedo, o ministro da Saúde disse que os hospitais da Alemanha estão tendo dificuldades para lidar com o enorme fluxo de vítimas da bactéria.

Os hospitais de Hamburgo, epicentro do surto que começou há três semanas, têm dispensado pacientes com doenças menos graves para poder atender às pessoas atingidas por uma cepa rara e extremamente tóxica da bactéria Escherichia coli (E. coli).

Marcus Brandt/Efe - 30.mai.2011
 
Imagem mostra zona de isolamento de hospital UKE, em Hamburgo; surto de bactéria já matou 19 pessoas na Europa

"Estamos enfrentando uma situação tensa em relação aos cuidados com os pacientes", disse Bahr ao jornal "Bild am Sonntag", no domingo. Ele acrescentou que hospitais fora de Hamburgo podem ser utilizados para compensar a "falta de leitos" na segunda maior cidade da Alemanha.

Um porta-voz do hospital Regio Clinics, o maior hospital particular do Estado de Schleswig-Holstein, que fica perto de Hamburgo, disse que a crise estava usando os recursos até o limite.

Ele disse ainda que "cirurgias para doenças não fatais estão sendo remarcadas. No entanto, parece que a situação está melhorando, já que agora temos apenas 60 pacientes que precisam ficar isolados, comparados com os 109 na sexta-feira."

GRUPOS

O Hospital Universitário de Hamburg-Eppendorf (UKE), que a Folha visitou anteontem (3), centraliza o atendimento aos casos mais graves da região.

"É uma situação que nunca confrontamos no passado", conta Jörg Debatin, diretor do UKE.
"É muito difícil fazer qualquer tipo de previsão quanto à epidemiologia. No fim de semana passado, vimos uma diminuição de infectados, só para sermos surpreendidos com um novo pico há alguns dias", afirma.

De acordo com Carolina Vila-Nova, enviada especial da Folha a Hamburgo, o hospital passou a dividir os pacientes em grupos, segundo a gravidade do quadro clínico. Dos cerca de 700 casos confirmados, o UKE acompanha entre 200 e 250.

O caso mais preocupante é o de 105 pessoas que desenvolveram a chamada síndrome hemolítico-urêmica, ou HUS, apresentando danos renais e neurológicos severos (como falência dos rins e ataques epilépticos) considerados irreversíveis.

Um terço está em unidades de tratamento intensivo e total isolamento. Respiram com a ajuda de aparelhos ou estão em coma. Um segundo grupo, com diarreia sanguínea e outras complicações, tem condições de internamento tradicionais, com diálises e transfusões.

Um terceiro grupo está em casa e tem a evolução da doença monitorada diariamente. O monitoramento é essencial: Hamburgo teve o caso trágico do paciente liberado por uma clínica e que morreu dias depois, em casa.

RESTAURANTE

O proprietário de um restaurante alemão cuja comida pode ter sido contaminada pela bactéria disse neste sábado que ficou devastado ao saber que muitos de seus clientes foram infectados.

Registrado na Europa, o surto da bactéria E. coli já causou 22 mortes até o momento.

 
 
 

"Foi como um golpe na cabeça quando eu ouvi a notícia", disse Joachim Berger em entrevista na cozinha de seu restaurante, em Lüebeck, a 60 quilômetros da cidade de Hamburgo, epicentro da doença.

"Nós fizemos todos daqui fazerem exames e tudo foi desinfetado. Eu mesmo paguei pelos exames, porque segurança é importante para os nossos clientes e funcionários", disse.

O jornal "Lübecker Nachrichten" noticiou que cientistas haviam identificado o restaurante local como um possível foco, de onde a bactéria foi transmitida após a morte de uma pessoa e o adoecimento de 17, incluindo um grupo de fiscais tributários alemães, turistas dinamarqueses e uma criança do sul da Alemanha.

"O restaurante não tem culpa nenhuma, mas é possível que a cadeia de fornecedores possa ajudar a determinar como o germe patogênico entrou em circulação", declarou o microbiólogo Werner Solbach, da Clínica Universitária de Lübeck, ao jornal.

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