Quinta, 14 de Dezembro de 2017

Campo Grande

Avó usou neto adolescente para matar o próprio companheiro, segundo polícia

16 JAN 2014Por Gabriel Maymone18h:19

Investigação da Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (DEAIJ) de Campo Grande (MS) concluiu que o assassinato de Natalino França, 41 anos, morto a facadas em novembro do ano passado, foi planejado pela companheira, Mara Izabel Gomes 51, que contou com a ajuda do neto, um adolescente de 16 anos, para cometer o crime.

Na época, o adolescente de 16 anos, neto da companheira de Natalino se apresentou espontaneamente na DEAIJ e confessou que deu dois golpes de faca que levaram a vítima à morte.

Contudo, considerando certas circunstâncias identificadas no início da investigação, independente da confissão, as investigações foram aprofundadas, novas testemunhas foram identificadas e ouvidas, exames periciais complementares foram requisitados, sendo que em um deles, peritos do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) identificou manchas de sangue da vítima nas vestes de Mara Izabel.

Com o resultado deste laudo ficou evidente que Mara Izabel participou na execução do crime e quando intimada novamente no dia 13 último, foi confrontada com todas as provas testemunhais e materiais e, após quatro horas e meia de audiência na DEAIJ, acabou por confessar que planejou o homicídio e combinou com o neto que ambos, na data do crime, esperariam a vítima dormir e então o adolescente a atacaria com uma faca.

Ao chegar em casa, na madrugada da data dos fatos, a vítima deitou-se, porém, Mara Izabel, alcoolizada e com raiva do companheiro que segundo ela a ameaçava de morte constantemente, iniciou uma discussão com Natalino, o qual levantou-se, sendo que durante o desentendimento o adolescente chegou na casa, aproximou-se sorrateiramente por trás e desferiu um golpe nas costas da vítima que ao virar-se recebeu outra “facada” no abdômen, caindo no chão da sala, onde permaneceu inerte.

Mara Izabel confessou ter ficado ao lado do companheiro ferido por aproximadamente dez minutos, aguardando o sangue esvair-se de seu corpo, quando então, convicta de que morrera, saiu à rua onde simulou um pedido de socorro, de modo a não levantar suspeitas sobre sua conduta.

A investigada confessou, e as provas produzidas mostraram, que durante o tempo em que ela permaneceu ao lado do companheiro, aguardando-o sangrar e morrer, a mesma estava na posse de dois telefones celulares (o dela e o do companheiro), porém, como seu objetivo era produzir a morte de Natalino, não efetuou nenhuma ligação aos órgãos socorristas (Corpo de Bombeiro, Samu), Polícia ou terceiros, o que foi feito por uma das testemunhas.

Diante dos fatos apurados, foi encaminhada uma cópia dos autos à 7ª Delegacia de Polícia da Capital, para a instauração de inquérito policial e formalização do indiciamento de Mara Izabel Gomes pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menor.

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