domingo, 15 de julho de 2018

“MINHA CASA”

Avanço da periferia deixa terreno 250% mais caro na Capital

17 JAN 2011Por Carlos Henrique Braga00h:00

O valor do metro quadrado teve valorização média de 250% nos últimos três anos, em Campo Grande, reflexo da urbanização e do impulso da economia. Principal motor do salto imobiliário, o programa "Minha Casa Minha Vida", criado em 2009 pelo governo federal, transformou bairros da periferia no paraíso da nova classe média. Terrenos até então dominados pelo mato saltaram de valor e passaram a abrigar casas de alto padrão antes vistas apenas em redutos da tradicional classe C, como o Autonomista.

Os novos preços, com alta de até 450% para terrenos com tamanho-padrão de 12 X 30 metros (360 m²) no bairro Rita Vieira, estão no último relatório da Câmara de Valores Imobiliários (CVI) e foram analisados pelo Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis), classe que ganhou 1.074 profissionais nos últimos dois anos só na Capital.

Eles têm trabalhado como nunca desde que as construtoras chegaram, atraídas por subsídios de até R$ 17 mil aos compradores e outras facilidades na negociação oferecidas pela Caixa Econômica Federal, que fechou pouco mais de R$ 1 bilhão em contratos de financiamento no ano passado em MS. Também entraram no mercado da Capital 50 pequenos construtores, que esquentaram a disputa por clientes interessados em encarar um financiamento de até 30 anos.

As obras de infraestrutura, que deram origem a novas avenidas ou alargaram as existentes, ficam com boa parte do mérito pelo dinamismo da periferia, segundo o presidente do Sindimóveis, James Gomes. Por causa dela, os construtores deixaram de olhar com desprezo bairros como Rita Vieira, São Conrado, Noroeste, Santa Emília e Aerorancho. "Esses lugares ficaram mais próximos do centro, mais urbanizados, menos perigosos", argumenta Gomes. A Rossi aportou por ali com seus condomínios, junto com Vanguard e Goldfarb.

O Jardim Noroeste, que, mesmo ao lado do Shopping Campo Grande, tinha pouco valor por causa das constantes invasões, finalmente ganhou preço. Desde 2008, o terreno lá está 300% mais caro, saiu da pechincha de R$ 2,5 mil para R$ 10 mil.

No Aerorancho, por conta da Avenida Interlagos, que encurtou a distância até o centro e ao campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a valorização do metro quadrado é de 214,2%, de R$ 7 mil para R$ 22 mil.

O Nova Lima, na saída para Cuiabá, terá o shopping Bosque dos Ipês e o condomínio de alto padrão Alphaville. Por isso, o valor de uma área passou de R$ 10 mil para R$ 40 mil (+300%). No condomínio, que terá outro setor (Terras Alphaville), o terreno quase dobrou de preço, de R$ 180/m² para R$ 350/m² (+94,4%).

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