quarta, 18 de julho de 2018

Ação nacional terá atividade em Campo Grande

Autoestima e superação são temas de palestra

1 OUT 2010Por Thiago Andrade00h:00



“O câncer de mama mexe com aquilo que a mulher tem de mais íntimo. Perder a mama é um golpe muito forte na autoestima”, acredita a artista plástica e pedagoga, Claúdia Vasconcellos, que foi vítima da doença no ano passado e, atualmente, viaja pelo País ministrando palestras sobre superação e autoestima para pacientes da doença. Ela desembarcou em Campo Grande ontem e participa hoje, a partir das 9h, no Hospital do Câncer Alfredo Abrão, do evento gratuito que tem como objetivo oferecer apoio às mulheres que enfrentam o câncer de mama.
Além da palestra, o evento promoverá uma sessão fotográfica, em que as pacientes são convidadas a se arrumar e posar, lembrando que mesmo com a doença, as mulheres devem praticar a vaidade e “não deixar de sentirem-se bonitas”. Segundo Cláudia, que mora em São Paulo, todo o trabalho é voltado para mulheres diagnosticadas com câncer de mama, independente do estágio em que a doença se encontra. “O choque do diagnóstico é tão grande, que por vezes as mulheres esquecem que a vida delas não se resume apenas àquilo. Elas se focam na doença e deixam de cuidar si como um todo”, alerta.
Quando os pequenos prazeres do dia a dia ficam em segundo plano, Claúdia aponta que algo está errado. “Por ser uma doença difícil de se lidar, as pessoas acabam voltando-se completamente para ela. Isso é prejudicial, pois nos torna escravas da doença. Em minha palestra procuro alertar a necessidade de viver e reconhecer que por mais difícil que o momento seja, temos que abraçar a vida”, argumenta. Para ela, tão importante quanto a autoestima, é saber que tudo na vida é passageiro. “Nenhuma felicidade é eterna. O lado bom é que nenhum sofrimento também”.
Um exemplo de luta e força
Vítima de câncer de mama aos 46 anos, Claúdia teve de se submeter a mastectomia total – procedimento no qual foram retiradas as duas glândulas. “Em um primeiro momento é um abalo muito grande, mas nenhuma mulher é apenas um par de seios bonitos. Isso a gente tem que descobrir nessa hora”, afirma. Depois de passar por essa experiência difícil, ela decidiu não se abater e agradecer por ter sobrevivido. “Assim eu comecei a fazer as palestras e mostrar minha história para outras mulheres que estão passando pelo que eu passei. Nada é tão importante quanto o apoio em momentos como esse”, acredita.
Ela alerta as mulheres que além do autoexame, é necessário que se façam consultas regulares aos médicos especialistas, pois, em seu caso, o exame de toque não revelou nada. “Tive calcificação dos dutos mamários, que é uma condição muito agressiva. Somente o exame clínico pôde detectar o problema”, explica. Para ela, o câncer de mama atinge dois pontos vitais da vaidade feminina, os seios e os cabelos, que caem com a quimioterapia. “Isso nos coloca em cheque, precisamos descobrir o que é a feminilidade. Ela está além dos estereótipos”, critica.
Lembrando que a alegria e o bom-humor são fundamentais para quem tem de enfrentar o câncer de mama, a pedagoga dá a dica: “evite pessoas negativas. Essas pessoas aparecem, elas tentam te colocar para baixo. Eu acredito que é importante se manter longe delas e viver a vida numa boa, um dia depois do outro, com a certeza de que por pior que seja aquela fase, ela vai passar”, aconselha.

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