sexta, 20 de julho de 2018

Comportamento

Atitude solidária

25 NOV 2010Por Thiago Andrade00h:30

Doar sangue é doar vida. Embora pareça um mero clichê, a frase é verdadeira para quem precisa de transfusão de sangue após sofrer qualquer acidente ou doenças do tipo. Em homenagem aos que despendem tempo em nome de outras pessoas, doando sangue em prol de quem necessita, comemora-se hoje o Dia do Doador de Sangue. Na Capital, o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Mato Grosso do Sul (Hemosul) prepara a 1ª Caminhada pela Vida, na qual os inscritos percorrerão cinco quilômetros, com saída da frente do Sesc Camillo Boni, Avenida Afonso Pena, 3.456. As inscrições podem ser feitas no Hemosul.

“Queríamos fazer algo para lembrar a importância de doar  sangue e permitir que os próprios doadores saiam às ruas nessa campanha. Também vamos  sortear bicicletas e todos os participantes  receberão camisetas, isotônicos, frutas e água durante  o evento”, detalha Osnei Okumoto, coordenador-geral da Hemorrede de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, não falta sangue no Estado, contudo, as reservas operam no limite. Logo, em caso de emergência, existe risco de que faltem bolsas para doação.

Por esse motivo, o coordenador afirma que todas as ações de divulgação e incentivo à doação são necessárias. “É um ato simples e rápido, que não causa o menor prejuízo ao doador e pode salvar uma vida. Existem muitos mitos sobre a doação. Dizem que engorda, que enfraquece, que pode causar doenças, mas são mitos. A quantidade doada é pequena, no máximo 450 mililitros”, detalha o coordenador. O tempo de doação é, em média, de dez minutos. O doador também faz exame clínico, no qual recebe hemograma completo.

A coleta é feita no Hospital Regional, no Hemosul, no Hospital Universitário, além de centros em Dourados e Corumbá. “É uma rede articulada para suprir as necessidades de sangue em todo Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério da Saúde, é necessário ter entre 3% e 5% da população doando sangue. Em Campo Grande, o número chega a 3%, já no Estado é de 2,5%”, aponta Osnei, reforçando que o número indicado é o mínimo necessário, portanto, é importante que mais pessoas se voluntariem.

Como lembra o coordenador, é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de cinquenta quilos. Homens podem doar sangue em intervalos de dois meses e mulheres a cada 90 dias. (Conheça outros requisitos para doar sangue no box). Osnei aponta que as tipagens sanguíneas com RH negativo são mais raras, principalmente os tipo O e AB, portanto, esses doadores são bem-vindos. “Claro que não são os únicos. Todos que querem doar, serão recebidos com muita solidariedade”, pontua.

Satisfação em ajudar ao próximo
Quem doa sangue sabe do bem que está fazendo ao próximo. Segundo eles, a sensação de bem-estar por ajudar quem precisa é indescritível. “Comecei a doar com 18 anos. Fiz uma cirurgia e precisei de sangue. Desde então, percebi a necessidade de fazer minha parte. Tornou-se um hábito e quero continuar enquanto puder”, descreve Laércio José da Silva, soldado reformado da Força Aérea Brasileira (FAB).  Ele, que tem 29 anos, costuma doar sangue em média três vezes ao ano. Com muito bom humor, Laércio afirma que muita gente não doa porque não percebe a importância do gesto.

“A gente não sabe o que é a dor até senti-la. Mas quando acontece, não dá para fingir que nada aconteceu. Por isso me tornei doador. Espero que outras pessoas se tornem sem ter que passar por problemas”, ressalta. Como lembra Laércio, doar sangue é um gesto tão rápido, simples e indolor, mas com um resultado tão grande que deveria ser praticado por todos. “Sinto-me um curador ao doar sangue. É uma sensação muito boa ajudar ao próximo, mesmo sem saber quem ele é”.

Anderson Castro Ajala, 23 anos, também é doador desde que completou 18 anos. O técnico em suporte tecnológico afirma que doar sangue é um ato de altruísmo sem medida. “Você está oferecendo ajuda a alguém que você não conhece, não sabe onde mora ou o que faz. É um ato de extrema consideração com o próximo. Não dá para descrever essa satisfação”, frisa.

Ele lembra que uma vez doou por indicação, pois uma amiga adolescente precisava de sangue O+. “Soube que ela precisava e não pensei duas vezes em vir até o banco. Fiz minha parte e, atualmente, ela está bem”, lembra. Segundo Anderson, doar sangue não dói. “O que dói mesmo é a pontada no dedo para o teste de glicemia”, brinca.

Entre os integrantes das Forças Armadas Brasileiras, a cultura de doar sangue é bastante difundida. Segundo Anderson Ferreira dos Anjos, 19 anos, foi a convite de um colega que ele resolveu doar sangue. Em média, de três em três meses, o jovem vai à algum banco de sangue para fazer a doação. “É rápido, não gasto nem meia hora”, explica. No dia em que foi entrevistado, Anderson contou que estava doando por indicação, ou seja, o sangue doado tem destino certo. “Recebi uma ligação do sargento e vim doar”, finaliza.

Saiba mais
Você pode doar sangue:
Se não teve hepatite após os 10 anos de idade;
Se não teve contato com o inseto transmissor da doença de chagas;
Se não teve malária ou esteve em região de malária nos últimos 6 meses;
Se não sofre de epilepsia;
Se não tem ou teve sífilis;
Se não é diabético;
Se não tem tatuagens recentes (menos de 1 ano);
Se não recebeu transfusão de sangue ou hemoderivados nos últimos 10 anos;
Se não ingerir bebidas alcoólicas no dia anterior a doação;
Se estiver alimentado e com intervalo mínimo de 2 horas do almoço;
Se você dormiu pelo menos 6 horas no dia anterior à doação;
Se não se expõe ao risco de contrair HIV, tendo comportamentos como: Não usar preservativos em relações sexuais, ter tido mais de dois parceiros sexuais nos últimos 3 meses ou usar drogas injetáveis.

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