Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

CRISE NO PPS

Athayde acusa, mas também será denunciado

8 ABR 2011Por DA REDAÇÃO00h:00

O Diretório Regional do PPS recebeu parecer da Comissão de Ética que pede a punição de 18 integrantes, com expulsão ou suspensão, por considerar que cometeram infidelidade partidária nas eleições gerais de 2010. Dentre os atingidos pela medida mais rigorosa estão o vereador por Campo Grande, Mário César, e o prefeito de Rio Verde, Willian Douglas. Reunião foi marcada para o próximo dia 15 de abril para sacramentar ou não o pedido.

O ponto final do impasse, porém, estará nas mãos da Executiva Nacional a ser acionada por alguns dos punidos contra o presidente estadual e o principal interessado na exclusão de companheiros, vereador Athayde Nery de Freitas, que assumiu vaga na Câmara Municipal de Campo Grande com a eleição de Alcides Bernal como deputado estadual. 

Athayde é acusado também de infidelidade partidária por ter recebido dinheiro e participado de material de campanha (como "santinhos") de outros candidatos a deputado federal.

Anteontem, um dos integrantes históricos do PPS (sucedâneo do Partido Comunista do Brasil) tentou entrar com representação contra Athayde, mas não teve sucesso. Sua pretensão teria esbarrado no diretório municipal - atualmente presidido pelo chefe de gabinete do vereador - que não reconheceu a documentação para encaminhar à comissão de ética.

Doações

Um outro ingrediente surge para aumentar a ebulição do caldeirão da crise no PPS e que será levado ao conhecimento da Executiva Nacional. São as doações recebidas por Athayde Nery de candidatos de outros partidos.

Além de material de campanha custeado pelo deputado federal Geraldo Rezende (PMDB) - conforme prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul -, o vereador também recebeu doações em dinheiro do então candidato Luiz Henrique Mandeta, do DEM, eleito deputado federal. Foram R$ 75 mil (dois repasses de R$ 37,5 mil).

A logica é que, se ele recebeu doações de material e em dinheiro, teria dado algo em troca e isso seria o apoio a esses candidatos em detrimento aos do seu partido. "Como servir a dois senhores?", questiona um integrante do PPS que discorda da comissão de ética.

Athayde disse ontem à tarde (via telefone) que não cometeu infidelidade porque, como candidato a deputado estadual, os seus nove mil votos "foram dados para o 23 (número do PPS); meus votos foram para o partido e consequentemente para os nossos candidatos". Segundo ele, agiu diferentemente dos demais companheiros que teriam trabalhado para carrear "votos para outros candidatos".

Com relação à doação de campanha (material gráfico e dinheiro) esclareceu que os candidatos eram da mesma coligação e "eles doaram pois queriam me apoiar" mas que isso não significou "que eu tenha pedido votos para elegê-los". Disse ainda que os candidatos federais do PPS tiveram em torno de 11 mil votos e que ele também colaborou fazendo doações.

Imbróglio

Como presidente do PPS, Athayde justificou o trabalho da comissão de ética - durante recente entrevista ao jornal Correio do Estado - alegando que alguns companheiros não teriam se empenhado nas últimas eleições em favor dos candidatos a deputados estaduais e federais da agremiação. Como prova, lembrou o resultado pífio nas urnas e citou alguns municípios onde a votação teve resultados muito aquém do esperado. Ele foi candidato a deputado estadual e não conseguiu se eleger. Ao Correio do Estado, disse que o "PPS não está afundando; está limpando a água para não ficar suja".

O ex-presidente municipal do partido, Porto Vanderley, deu sua versão.

Porto, também ao Correio do Estado, disse que houve uma determinação da Executiva Nacional para dissolução dos diretórios municipais onde o desempenho ficou abaixo dos 30% nas eleições de 2010. E aproveitou para disparar: se houve infidelidade, Athayde também a praticou pois teria apoiado o candidato do PMDB, Geraldo Resende, a deputado federal que conquistou uma das oito cadeiras em Brasília. "Santinhos" com a propaganda de ambos seriam a prova,

Athayde refutou a acusação classificando-a de "levianas", conforme sua entrevista ao Correio do Estado, esclarecendo que, na época, procurou a Comissão de Ética e apresentou seu material de campanha e provar que não fazia alusão a candidatos de outros partidos.

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