domingo, 22 de julho de 2018

DESCASO

Até fevereiro, 34 médicos devem abandonar postos

26 OUT 2010Por bruno grubertt02h:35

 

Até fevereiro do ano que vem, pelo menos mais 34 médicos devem deixar os postos de saúde de Campo Grande, de acordo com estimativas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Só em setembro deste ano, 13 médicos pediram demissão. A debandada tem relação com os salários, considerados defasados pela categoria e com a falta de segurança e boas condições de trabalho, de acordo com o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS).
 
Todas as semanas os campo-grandenses que procuram os postos de saúde sofrem com as longas filas e a falta de médicos em muitos postos da Capital. O problema, de acordo com o secretário de Saúde do município, Leandro Mazina Martins, é inevitável. Isso porque o número de médicos formados pelas universidades do Estado, segundo ele, é insuficiente para atender a toda demanda. Por isso, de acordo com o secretário, o problema não é restrito à Capital, sendo enfrentado também por municípios do Interior. Em Campo Grande há cerca de 2,8 mil médicos, dos quais 1,1 mil trabalham na rede pública.
 
Salários
Apesar de o secretário defender que os vencimentos pagos aos médicos pela rede municipal estariam “dentro dos valores de mercado”, o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS), Marco Antônio Leite, afirmou que os salários estão defasados.
Em Campo Grande, um médico recebe R$ 520 por cada plantão de 12 horas feito na rede municipal. Esse valor recebe acréscimo de 10% para plantões noturnos e 20% se o horário for cumprido nos fins de semana ou feriados. De acordo com o sindicato dos médicos, o valor é inferior ao que é pago aos plantonistas da rede estadual, por exemplo — R$ 740 por plantão de 12 horas, com os mesmos adicionais.
 
Já os médicos do Programa de Saúde da Família (PSF), que trabalham 8 horas por dia, têm salário-base de R$ 3.891,27 — um dos menores do País, conforme o Sinmed/MS. Somadas às gratificações, o valor pode chegar aos R$ 6.529,51, de acordo com a Sesau. Em Sonora, segundo o sindicato, o valor pode chegar aos R$ 16 mil.
 
Uma das soluções discutidas é a criação de um plano de cargos e salários para a categoria, que já está sendo elaborado pela Sesau em parceria com o sindicato. “Com certeza atrairia mais pessoas para a rede municipal, que hoje não tem atrativo nenhum”, disse o presidente do Sinmed/MS.
 
Atualmente, de acordo com o secretário de saúde, a lei não permite o aumento do salário dos médicos.

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