Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

ITÁLIA

Associação espera vender cerca de mil bois/mês

24 MAI 2011Por DA REDAÇÃO15h:03

Produtores de carne bovina orgânica de Mato Grosso do Sul estão conseguindo abertura de mercado para o produto, tendo a Itália como porta de entrada para futuramente conquistar consumidores em mais países da Europa.  A estimativa é de que a associação chegue até o final do ano com a comercialização média mensal de 1.000 cabeças de bovinos vendidas no negócio que está sendo fechado.

Na noite de ontem (23), um jantar de degustação em Campo Grande promovido pela Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO Pantanal Orgânico) marcou o avanço nos negócios com a região italiana de Abruzzo.evento reuniu, além de integrantes da ABPO, os parceiros do WWF-Brasil e Movimento Slow Food, e foi prestigiado pelo governador André Puccinelli e a secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (Seprotur), apontados pelos produtores como importantes articuladores e apoiadores para abertura desse mercado.

“O nosso governador foi à Europa para divulgar [esse potencial] e isso deu resultado. A ABPO está agora trilhando essa porteira aberta pelo governador usando a Itália como porta de entrada para os países europeus”, disse o presidente da ABPO, Leonardo Leite de Barros. “Eu realmente creio nessa parceria público-privada, porque é uma ação que não precisa de investimentos vultosos”. Conforme Barros, a intenção não é vender a carne em tão grande escala, como commodity, concorrendo com as grandes indústrias, e sim criar uma marca como produto diferenciado e aproveitar um nicho específico de mercado, que valoriza na produção a sustentabilidade socioambiental e a rastreabilidade da criação em modelo orgânico. “Para nós é um aprendizado”, diz o presidente da ABPO. Ele explica que o mercado comprador envolve inicialmente um pool de empresários italianos da região de Abruzzo.

De acordo com o consultor Marco Verticelli, do Instituto Caporale, e representante comercial da ABPO na Itália, há grande interesse por esse produto diferenciado e cabe agora a quem produz atuar tecnicamente dentro do que é exigido para garantir participação nesse mercado.

O governador André Puccinelli disse que é importante trabalhar para obter o reconhecimento do valor – e melhores preços – para essa carne orgânica pantaneira nesses novos mercados. “Agora eles já nos conhecem, lá tem público [mercado para a produção], e através dessa parceria queremos expandir os negócios”, disse André.

A secretária estadual de Produção explica que o diferencial da carne orgânica exigido – e bem aceito – pelos compradores envolve uma série de normas bem definidas, desde o nascimento do bezerro, passando pelo abate. “Eles querem saber como esse animal é criado, tem todo um protocolo a ser seguido, na alimentação, com o uso de sal especial, com a certificação da propriedade pela associação de produtores orgânicos, com cuidados socioambientais”, exemplifica Tereza Cristina. “O que nós precisamos é estar organizados para aproveitar esses nichos”.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também