Quinta, 14 de Dezembro de 2017

OFENSA

Associação católica vai ao MP contra Porta dos Fundos

13 JAN 2014Por FOLHA PRESS14h:00

 A Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família afirma que entregará ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, na tarde de hoje, uma representação criminal contra o grupo Porta dos Fundos.

Para a entidade católica, o vídeo especial de Natal do grupo, postado no YouTube em 23 de dezembro de 2013, ofende "garantias e princípios constitucionais, mormente o princípio de tolerância e respeito à diversidade".

O vídeo --que compila pequenas histórias sobre Adão e Eva, o nascimento e a crucificação de Jesus Cristo-- ganhou a ira de religiosos, tanto católicos como evangélicos.

O arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer, publicou crítica ao grupo em sua conta no Twitter em 5 de janeiro. "Será que isso é humor? Ou é intolerância religiosa travestida de humor? Péssimo mau gosto!", escreveu.

Em um vídeo difundido em sites cristãos e no Facebook, o pregador e missionário católico Anderson Reis convoca os insatisfeitos a assinarem uma petição on-line para solicitar ao Grupo Petrópolis, detentor da marca de cerveja Itaipava, que retire o patrocínio ao grupo. Além disso, sugere que entrem no site da Polícia Civil do Rio de Janeiro e registrem uma queixa contra crime de preconceito e ódio à religião.

"O sentimento religioso deve ser respeitado. Não só católicos, mas nossos irmãos protestantes se sentiram aviltados", diz Paulo Fernando Melo, advogado e integrante da associação.

Na representação, a associação defende que a liberdade de expressão "não pode ser utilizada como um escudo para atividades ilícitas e nitidamente tipificadas em nosso Código Penal, in casu, o vilipêndio público de ato ou objeto de culto religioso". E sustenta que, no vídeo de Natal, o grupo ridiculariza dogmas cristãos.

"Qual a intenção do grupo de fazer tal vídeo e publicá-lo na antevéspera do Natal? Não está clara a intenção de tripudio e escárnio? Cada segundo do vídeo é uma afronta das mais comezinhas à fé cristã e a todos aqueles que são fiéis ao Cristianismo, perfazendo em cada um dos seus dezesseis minutos e quarenta e dois segundos, uma sucessão de escárnios, zombarias, tripudios e vilipêndios", diz trecho da representação assinada por Hermes Nery, diretor de imprensa da associação.

A entidade quer enquadrar o vídeo no artigo do Código Penal que trata do crime contra o sentimento religioso.

Outros vídeos do grupo com temáticas semelhantes como "Adão", "Moda", "Michelangelo" são classificados, na representação, como exemplo de tentativas de escárnio da fé cristã.

Segundo Melo, a pena prevista é pequena e costuma ser transformada em prestação de serviços à comunidade ou pagamento de cestas básicas. Ele defende, no entanto, que a ação pode ter caráter educativo, para que o grupo "seja mais comedido" nos próximos vídeos.
A reportagem procurou a assessoria do grupo Porta dos Fundos e aguarda um retorno. Na semana passada, ao falar da polêmica criada em torno do vídeo, o grupo disse que os vídeos não têm a intenção de difamar qualquer religião. 

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