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MUNDO

Assad promete revogar emergência semana que vem

17 ABR 2011Por ESTADÃO01h:44

O presidente da Síria, Bashar al Assad, disse no sábado que até a semana que vem vai revogar a lei de emergência em vigor há quase 50 anos no país, mas ignorou os apelos populares para que ele contenha as ações dos órgãos de segurança e desmantele seu sistema autoritário.

Assad, enfrentando uma pressão sem precedentes para democratizar a Síria, havia prometido anteriormente substituir a repressiva lei de emergência por leis contra o terrorismo, mas membros da oposição disseram que isso provavelmente não eliminará as restrições existentes contra a liberdade de expressão e reunião.

"A semana que vem é o limite para a conclusão dessas leis relativas à suspensão do estado de emergência", disse Assad em discurso ao novo gabinete nomeado na semana passada.

"Quando a suspensão do pacote de leis de emergência estiver emitida, deverá ser firmemente implementada. O povo sírio é civilizado. Ama a ordem e não aceita o caos e o regime das turbas", disse ele. "Não seremos lenientes com a sabotagem", acrescentou Assad no discurso, transmitido pela TV pública.

Autoridades sírias têm atribuído as recentes turbulências a "infiltradores" ligados a estrangeiros, inclusive ao Líbano e a grupos islâmicos.

A lei de emergência proíbe reuniões públicas com mais de cinco pessoas, o que serviu para sufocar qualquer dissidência pública até que os sírios começassem a sair às ruas há um mês, inspirados pelas rebeliões populares que depuseram líderes autocráticos no Egito e na Tunísia.

Assad, 45 anos, assumiu o cargo em 2000, com a morte do seu pai, Hafez al Assad, que havia governado durante 30 anos. O Partido Baath está no poder na Síria desde 1963.

O presidente disse que manter a estabilidade continua sendo sua prioridade, mas admitiu que é necessário realizar reformas para "fortalecer a frente interna".

Ele não citou exigências dos manifestantes, como a libertação de presos políticos e a revogação do artigo constitucional que incumbe o Baath de ser "o líder do Estado e da sociedade".

"Não queremos nos apressar. Quaisquer reformas precisam se basear na manutenção da estabilidade interna", afirmou Assad.

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