Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

família

As fases da mulher

26 DEZ 2010Por Nayara Marques, Bolsa de Mulher00h:05

A imagem da família feliz reunida em torno de uma mesa de café da manhã funcionava bem num comercial de margarina dos anos 60. Hoje, durante a rotina corrida, você pensa: “Qual foi a última vez que eu, meu marido e meus filhos nos sentamos juntos para uma refeição?”. Estresse, responsabilidades e compromissos esbarram no dia a dia familiar e tempo se tornou artigo de luxo para a maioria das mulheres.

Os psicólogos relatam as dificuldades que as mulheres passam ao lidar com o noivado, o casamento e a maternidade. Afinal, essas fases só agregam mais responsabilidade e novos papéis sociais à mulher moderna. Essa mulher atual, brasileira e pronta para tudo é peça-chave de uma nova família. Uma mulher que, em seu modelito multifuncional, traz sempre a tiracolo sua superbolsa sobrecarregada de funções e que, às vezes, consegue até ser feliz. Mas isso lhe custa caro, muito caro.

Considerados pelos especialistas como rituais de amadurecimento, esses três períodos abordados são tratados como divisores de água na vida de qualquer mulher. O problema é que muitas chegam despreparadas e não conseguem lidar com as possíveis decepções. Os casais estão se divorciando cada vez mais cedo. As pessoas já se casam pensando no divórcio. Muitas mulheres falam: ‘Ah, eu caso e se não der certo é só me divorciar!’. As relações estão líquidas. É a geração da troca. Ninguém faz esforço para consertar, para melhorar. Não deu certo, troca. As pessoas se esqueceram de que o casamento não se resume ao dia da festa, onde tudo é diversão. E o resto dos dias? É como os contos de fada: todos acabam no príncipe e na princesa casando e vivendo felizes para sempre, só que o resto não é mostrado.

Casamento
A falta de suporte e de referências reais é a principal causa para a decepção no casamento, já que a criação de expectativas perfeccionistas é inevitável. Os profissionais não acham que exista ilusão entre as mulheres sobre o casamento. Há um despreparo, há falta de suporte e diálogo. Isso tudo gera um vazio, pois ela se casa esperando que tudo seja uma maravilha, mas os problemas existem e precisamos lidar com eles. É preciso entender o que você está passando e saber que todo mundo passa por isso. Você não é a única. Você não é um ET porque seu casamento não saiu como esperava.

Maternidade
A maternidade também é, para as psicólogos, uma caixinha de surpresas. O corpo sofre transformações, a relação entre o casal é alterada e a consciência de que um novo membro na família será totalmente dependente de você pode dar medo.

Sentir o bebê se mexer na barriga é uma emoção só. Mas olhar seu corpo no espelho, com aquele olhar de mulher exigente com tudo o que tenha a ver com um corpo bonito, quase a leva à depressão. Nos primeiros meses, por medo. ‘Será que vai fazer mal ao feto? Será que não vai forçar demais?’. Em consequência, sentir tesão passou a ser associado a uma dúvida cruel: ‘Será que podemos?’”

Mulheres, vamos descomplicar?
A mulher trabalha fora, faz os serviços domésticos, toma conta dos filhos, do marido, da empregada e do cachorro, paga as contas e ainda tem que arrumar tempo para cuidar de si. Quem passa por isso sabe que o termo “mil e uma utilidades” não é exagero. Em primeiro lugar, vamos combinar o seguinte: a vida não é um comercial de margarina, está mais para uma novela de dramas com capítulos inéditos a cada dia.

A divisão das tarefas domésticas não é uma iniciativa que deve partir somente do homem. A mulher precisa ceder. Os especialistas observam que existem homens que querem participar, ser mais atuantes nas atividades domésticas. Da mesma forma que há aqueles que não querem nem pensar em dividir. Mas a mulher tem certa dificuldade em abrir mão das responsabilidades que ela delega para si. O problema é que ela ao longo do tempo foi somando funções, mas esqueceu de dividir.

Noivado, casamento e maternidade: o segredo para se preparar para encarar o que vem por aí está no diálogo. Os especialistas aconselham: converse com pessoas que já estão casadas, com pessoas que já passaram por essas situações e, principalmente, converse com o seu parceiro. O diálogo é fundamental. E não se trata de discutir relação. Se trata de entender que nunca ninguém está certo o tempo inteiro, que é preciso aprender com o outro. Tem que haver suporte dentro da relação. É claro que isso não é garantia, porque preparada a gente só está quando vivencia. Mas é importante tentar.

Como fica a busca pela felicidade e realização pessoal diante de tantas responsabilidades? Basta seguir nossos instintos e correr em busca do que realmente queremos e não do que nos é imposto. Não adianta achar que a mulher que é dona de casa não é feliz porque não trabalha fora. Ela é feliz dentro do contexto dela. Ela fez as próprias escolhas. A partir do momento em que a mulher respeita o que ela realmente quer da própria vida, consegue ser feliz. A sociedade sempre impôs papéis sociais à mulher. Se ontem ela deveria ser dona de casa, hoje ela deve ser a superexecutiva com sucesso pessoal e profissional. Mas as exigências continuam sendo as mesmas. Cabe à mulher respeitar o que ela quer, de fato, fazer.

Ainda assim, resta a pergunta: afinal, como descomplicar? Segundo os especialistas, descomplicar é encarar as situações da vida como se não fossem complicações, mas coisas normais, porque são exatamente isso. É normal, todo mundo passa por esses problemas. Não é a mulher que é complicada, é a vida! E precisamos viver da forma mais leve possível.

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