Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Escândalo

Artuzi nega plano de matar os Uemura

21 SET 2010Por 08h:04

Lidiane Kober

Preso em Campo Grande, o prefeito afastado de Dourados, Ari Artuzi (sem partido), negou a intenção de matar três integrantes da família Uemura e acusou o delator do esquema de corrupção, Eleandro Passaia, de inventar esta informação. Ele espera, ainda, sair da cadeia esta semana. As informações são do advogado Carlos Marques, depois de conversar com o prefeito sobre divulgações de suposto plano de aniquilar com a família Uemura.
A confiança em ver seu cliente longe das grades, leva em consideração sua tese de que a prisão de Artuzi é ilegal. “Ele já foi afastado (da prefeitura), teve o sequestro de seus bens decretado e a investigação já acabou”, explicou o advogado. “Por isso, não tem motivos para mantê-lo na cadeia”, acrescentou. “Ele tem tudo para ser solto nesta semana”, calculou.
Em entrevista, um dia depois de ser deflagrada a Operação Uragano, no dia 2 de setembro, o advogado também apostou na liberdade de Artuzi, porém a Justiça prorrogou a prisão do prefeito. “Continuo achando que naquela época a prisão também era ilegal”, disse.
Indagado, então, sobre os motivos pelos quais não ingressou, logo depois de Artuzi ser detido, com habeas corpus para livrá-lo da cadeia, Carlos Marques informou que contava com decisão da Justiça de libertar o prefeito, pois “a prisão é ilegal”. Ele informou ainda que entrou com recurso para pedir a revogação da decisão de manter seu cliente atrás das grades. “O caso está nas mãos do Tribunal de Justiça”, contou, sem dar mais detalhes.

Plano mortal
Sobre o plano de Artuzi mandar matar Sizuo Uemura, Eduardo Uemura e Helena Uemura e incriminar testemunhas das investigações de corrupção na Prefeitura de Dourados, conforme revelou texto da decisão que afastou o prefeito do cargo, tomada na semana passada pelo desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, o advogado defendeu com firmeza a inocência do prefeito. “Ele (Artuzi) nega de forma veemente qualquer intenção de matar alguém da família Uemura”, contou Carlos Marques, que esteve com o prefeito na última sexta-feira, quando vieram à tona as informações. “Para ele, isso é mais uma das invenções do Passaia”, completou.
Ao liquidar os Uemura, Artuzi se livraria de dívida, segundo texto da decisão do desembargador do Tribunal de Justiça. Da mesma forma que o prefeito, a família é ré em ação penal, aberta depois da Operação Owari da Polícia Federal.
Diante da convicção sobre a inocência de Artuzi, o advogado não pensa em pedir proteção policial às duas filhas do prefeito, que residem em Dourados. “Ele não acredita em qualquer tentativa de prejudicar sua família”, disse Carlos Marques.

Abatido
Em relação ao estado emocional de Artuzi, o advogado informou que ele está bastante abatido e passa o tempo na cadeia lendo livros.
O prefeito está preso em Campo Grande desde o dia 1º de setembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Uragano. Vídeos gravados por Eleandro Passaia e entregues à PF mostram Artuzi recebendo R$ 10 mil. O dinheiro seria proveniente de fraudes em licitações e corrupção.

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