quarta, 18 de julho de 2018

OPERAÇÃO URAGANO

Artuzi "mofa" na prisão há 74 dias e espera sair após feriado

13 NOV 2010Por Fernanda Brigatti02h:00

Contrariando a lógica popular de que os que têm poder salvam-se até da punição por crimes, o prefeito da segunda maior e mais importante cidade de Mato Grosso do Sul, Ari Artuzi, hoje sem partido e afastado da cargo, já "mofa" na cadeia há 74 dias, acusado de integrar um esquema de desvio de dinheiro, fraude em licitações e pagamento de propina.

Denunciado criminalmente em outra ação por desvio de recursos públicos, Artuzi foi visto em público na última quinta-feira (11), pela primeira vez desde a prisão, em 1º de setembro, ao chegar para depor no Tribunal de Justiça (TJ). O prefeito afastado chegou algemado, aparentava estar mais magro e estava com os cabelos mais curtos. Falou durante a manhã ao desembargador Claudionor Abss Duarte e negou envolvimento com qualquer crime.

Para a defesa de Artuzi, a manutenção da prisão dele é uma espécie de aberração processual, pois não existiriam mais razões para mantê-lo na cadeia. Ele já passou pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Asssaltos e Sequestros (Garras) e pelo 3º Distrito Policial e agora está na Penitenciária Federal.

O advogado Carlos Alberto de Jesus Marques, que representa Artuzi e a mulher dele, Maria Aparecida, também presa, aguarda o resultado de um habeas corpus distribuído nesta semana à ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Até ontem, segundo a assessoria de imprensa do órgão, ainda não havia decisão. Se a ministra entender que Artuzi não deve mais ficar preso, a soltura deve ser imediata. A expectativa é que o HC saia após o feriado.

Em Dourados, o clima de instabilidade instaurado logo que a Operação Uragano foi deflagrada deu lugar hoje a uma sensação de que as coisas lentamente voltam ao normal. Os últimos dias foram marcados por manifestações pedindo rapidez à Comissão Processante aberta na Câmara Municipal contra Artuzi.

A expectativa é pela convocação de eleições diretas, que dependem da cassação do mandato do prefeito até o fim deste ano. Nesta semana, o Comitê Regional de Defesa Popular protocolou, na Câmara, um pedido pela cassação dos mandatos dos 11 vereadores de Dourados indiciados pela Polícia Federal com base nas investigações da Operação Uragano e que também foram denunciados por corrupção e formação de quadrilha pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Atualmente, continuam cumprindo seus mandatos apenas Gino Ferreira (DEM) e Dirceu Longhi (PT), este último presidente do Legislativo. Todos os demais foram afastados pela Justiça e substituídos por suplentes. Na prefeitura, hoje, interinamente está a então presidente da Câmara, vereadora Délia Razuk. Até o presidente do fórum de Dourados, juiz Eduardo Machado, chegou a assumir o cargo, pois toda a linha sucessória – vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), presidente da Câmara, vereador Sidlei Alves (DEM), e procurador-municipal Alziro Moreno – foi desmanchada e presa.

As prisões foram feitas durante a Operação Uragano, que flagrou vereadores e o prefeito recebendo dinheiro de "retorno" das empreiteiras que atuavam na cidade. Os serviços eram superfaturados e o extra era repartido entre os poderes. Em ação civil, o Ministério Público Estadual calculou que o prejuízo aos cofres públicos tenha sido de R$ 35 milhões.

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