Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

OPERAÇÃO OWARI

Artuzi alega não ter recebido dinheiro, apenas combustível

12 NOV 2010Por Maria Matheus00h:00

O prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido) negou envolvimento em esquema de desvio de verbas e tentativa de fraudar licitações em Dourados, crimes apurados pela Operação Owari, deflagrada pela Polícia Federal em julho do ano passado. No depoimento ao desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte, relator do processo, Artuzi disse que não recebeu da família Uemura dinheiro, carro ou viagens, apenas combustível para sua campanha eleitoral, em 2008. Outros dez réus apresentaram defesa prévia ontem, no Tribunal de Justiça, mas todas as oitivas foram realizadas a portas fechadas, porque o processo corre em segredo de justiça.
Artuzi, classificado pelo Ministério Público Estadual como gerente da organização criminosa que atuava em Dourados, chegou algemado ao Tribunal de Justiça às 8h20min, escoltado por três viaturas do Departamento Nacional Penitenciário. Ele está preso por ordem do desembargador Manoel Mendes Carli, por envolvimento em crimes apurados em outra operação da PF, a Uragano. Segundo Carli, após a Operação Owari (ponto final, em japonês), Artuzi insistiu em práticas criminosas e tentou atrapalhar a produção de provas. Ele teria, inclusive, comentado sobre a intenção de matar integrantes da família Uemura.

O homem apontado pela Polícia Federal como chefe da quadrilha que teria arrombado os cofres públicos do município por mais de 20 anos, Sizuo Uemura, está em liberdade. Ele ficou apenas cinco dias na cadeia no ano passado, depois, conseguiu habeas corpus. Ele também prestou depoimento ontem pela manhã, mas disse não ter visto o prefeito (leia mais na página 4A).

Artuzi respondeu a aproximadamente 15 perguntas, todas referentes aos crimes apurados na Operação Owari. Segundo a assessoria do TJ, apenas o advogado do prefeito afastado, Carlos Marques e o procurador de Justiça João Albino Cardoso Filho acompanharam a oitiva, além do desembargador relator do processo. O depoimento durou menos de uma hora. Artuzi deixou o prédio por volta de 9h30min.

Carlos Marques contou que Artuzi negou todas as acusações. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral de Justiça, antes de completar 40 dias de mandato, o prefeito negociou o direcionamento da licitação para terceirização da rodoviária e participou de manobras para direcionar a concessão do serviço de distribuição de água de Dourados. As empresas beneficiadas seriam a Sociam e a Águas de Niterói. Ambas negam envolvimento nos crimes. “Não houve fraude à licitação”, afirmou Marques, em entrevista após o término de todos os depoimentos.

Ainda segundo o MPE, a Polícia Federal deflagrou a Operação Owari antes da conclusão da negociata. “Houve uma tentativa de fraude. Só não ocorreu porque a Operação foi deflagrada e impediu”, disse o procurador João Albino, ontem pela manhã, ao deixar o TJ.

“Sem provas”
Conforme Carlos Marques, Artuzi admitiu apenas o recebimento de combustível nas eleições de 2008, mas a doação foi declarada à Justiça Eleitoral na prestação de contas de campanha. O prefeito afastado também é acusado de receber dinheiro, viagens e até mesmo um carro de luxo para facilitar a atuação da família Uemura.

“No nosso entender, não há qualquer prova”, disse Marques. Penso que a absolvição é certa”.

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