Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

PLANO CRIMINOSO

Ari Artuzi planejava matar e incriminar testemunhas

18 SET 2010Por 07h:06

LIDIANE KOBER

O prefeito de Dourados Ari Artuzi (sem partido) planejava matar o clã da família Uemura e incriminar testemunhas das investigações de corrupção. O plano é descrito em gravações telefônicas da Operação Uragano e serviu para embasar a decisão do desembargador Claudionor Miguel Abss Duarte de afastar o prefeito do cargo. Diante das evidências de que Artuzi é capaz de manipular provas, caso seja solto e retorne à prefeitura, o magistrado atendeu o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) para mantê-lo fora do comando da administração municipal.
Conforme texto da decisão proferida pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), trecho de gravação telefônica revela “diálogo entre Ari Valdeci Artuzi, Eleando Passaia e João Kruger (ocupou cargo de controlador-geral do município) no sentido de contratarem terceiro não identificado, mediante paga, para matar Sizuo Uemura, Eduardo Uemura e Helena Uemura (áudio de 4 a 6 de junho de 2010)”.
Ao liquidar os Uemura, Artuzi livraria-se de dívida milionária de campanha. Da mesma forma que o prefeito, a família é réu em ação penal, aberta depois de explodir a Operação Owari da Polícia Federal (PF). A investigação detectou, por meio de gravações telefônicas autorizadas pela Justiça, a existência de uma quadrilha, comandada por Sizuo Uemura, que fraudava licitações nas prefeituras de Dourados e região.
O plano de Artuzi de manipular provas também se evidencia em outra gravação telefônica na qual o “diálogo entre Ari Valdeci Artuzi, Eleandro Passaia e Cláudio Gaiofato (ocupava cargo de chefia na Secretaria Municipal de Agricultura) revela a intenção do investigado em contratar terceiros, ainda não identificados, para armar para pessoa de apelido ‘Preta’. O investigado cogitou mandar terceiros ao Paraguai para comprar drogas e colocar nos pertences de ‘Preta’ para ‘ferrá-la’”. O objetivo da armação, conforme texto transcrito na decisão do desembargador, era “tornar a testemunha sem moral”.
Preta, se chama Sílvia Helena da Conceição. Ela é presidente da Associação de Moradores da Vila Cachoeirinha, bairro da periferia de Dourados. Nas últimas eleições municipais, Preta foi candidata, pelo PRB, a vaga na Câmara Municipal. Com a derrota nas urnas, Artuzi a contratou para trabalhar na prefeitura. Eles acabaram rompendo relações, quando o prefeito a demitiu e ela passou a comandar protestos contra ele.

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