Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

DROGAS

Apreensão de crack e cocaína sextuplica na tríplice fronteira

22 OUT 2010Por UOL17h:34

As apreensões e prisões realizadas nesta sexta-feira (22) na Operação Tocaia, desencadeada pela Polícia Federal (PF) do Paraná, comprovam que a tríplice fronteira vem funcionando não somente como entreposto do contrabando e do tráfico de maconha cultivada no Paraguai, mas também como um canal para entrada dos derivados da coca boliviana no Brasil.

Pelas estimativas de Marco Smith, delegado-chefe de operações da delegacia da PF em Foz do Iguaçu, as apreensões de crack, cocaína e pasta base aumentaram mais de seis vezes entre o primeiro semestre de 2009 e o mesmo período de 2010.

Segundo seus cálculos, nos primeiros seis meses do ano passado, 50 quilos dessa classe de entorpecentes foram apreendidos na região, contra 300 quilos no primeiro semestre desse ano. Na maioria dos casos, tratava-se de crack, diz o delegado.

O itinerário percorrido pelos traficantes compete com as tradicionais rotas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Independentemente do local de origem da droga, Ciudad del Este é um centro financeiro importante, então o dinheiro acaba sempre vindo parar aqui. Os traficantes aproveitaram e estão passando os produtos por aqui também", disse Smith, em entrevista ao UOL Notícias.

Como o delegado afirma, os derivados de coca são procedentes da Bolívia. Os narcóticos descem pelo país, entram no Paraguai e são transportados em barcos. "Acho que o aumento de fiscalização está por trás desse aumento de apreensões", diz.

Como a autoridade policial explica, os traficantes tentam "todas as formas" de burlar as barreiras oficiais. "Temos encontrado muita cocaína, benzocaína e outras 'inas'. A gente abre aparelho de DVD achando que é contrabando, e acha droga."

Operação
A operação desencadeada hoje teve como objetivo prender os responsáveis por organizar o transporte das drogas. "Pegamos gente dois níveis acima das mulas (pessoas que levam drogas amarradas ou dentro do corpo)", contou. "O grupo funcionava em três núcleos: um atravessava a droga, outro recebia e transportava e um terceiro recebia no destino final."

No total, foram presas 26 pessoas no Paraná, Minas Gerais e Bahia, cumprindo mandados de prisão expedidos pela Justiça. Foram apreendidos 3 quilos de crack, 11 toneladas de maconha, quatro armas e 14 veículos, além de R$ 8.000. "Nosso objetivo não era pegar drogas, mas documentos, computadores e demais itens que possam ajudar em nossa investigação, que começou há 11 meses", finalizou Smith.

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