Segunda, 18 de Dezembro de 2017

ÍNDIA

Após sofrer dois estupros coletivos, jovem morre queimada

3 JAN 2014Por FOLHA PRESS04h:00

Uma garota de 16 anos que sofreu dois estupros coletivos em outubro morreu em depois de ser queimada próximo a Calcutá, na Índia.

Segundo a polícia, a jovem estava grávida. Uma semana após a morte, os crimes causaram protestos nesta semana em Calcutá e em Nova Déli contra a pouca eficácia das autoridades para investigar e reprimir casos de estupro.

A primeira violação da garota, por um grupo de mais de seis homens, ocorreu em 26 de outubro, na cidade de Madhyagram. O segundo estupro coletivo ocorreu quando ela voltava para casa depois de denunciar à polícia o primeiro ataque. Em 23 de dezembro, após uma série de ameaças, os criminosos colocaram fogo na jovem, que morreu num hospital público no dia seguinte.

As primeiras prisões ocorreram apenas nesta terça-feira, dois meses depois do primeiro estupro, disse à agência France-Presse o chefe de polícia Rajiv Kumar.

"Os acusados assassinaram minha filha colocando fogo nela para ocultar seus crimes", disse o pai da vítima, um taxista emigrado de Bihar, o Estado mais pobre da Índia. Tanto a idade dele quanto a da filha não podem ser reveladas por motivos legais. Ele diz que a polícia cremou o corpo rapidamente, sem sua permissão. Depois de protestos, as cinzas foram entregues à família para realizar o funeral.

Originalmente, a família disse que a garota havia ateado fogo a si mesma devido às pressões dos amigos dos estupradores. Anteontem, porém, a polícia confirmou que antes de morrer a garota denunciou os dois homens presos nesta terça pelo último crime.

As violações, ataques e hostilidades contra mulheres na Índia foram destacados nos últimos 12 meses, depois da violação coletiva de uma estudante de 23 anos num ônibus de Nova Déli, em dezembro de 2012. Sua morte após os ferimentos no ataque desencadeou uma onda nacional de indignação.

Desde então, o Parlamento indiano aprovou leis mais duras para castigar os abusadores. Ativistas, porém, dizem que as vítimas costumam ser ameaçadas por seus atacantes e que os policiais costumam convencê-las a não prestar queixa. 

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