Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

Dourados e a "Câmara Secreta"

Após quatro meses de investigação, Gaeco deflagra operação

29 ABR 2011Por Laís Camargo09h:48

Holerites falsificados pelo próprio diretor financeiro, servidores-fantasmas, gorjetas mensais e propinas. Uma lista de crimes políticos que aconteciam simultaneamente na Câmara Municipal de Durados e que hoje foram expostos com provas concretas e prisões na operação “Câmara Secreta” - deflagrada pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com o apoio da Polícia Militar.

Esta manhã foram quatro prisões preventivas - ex-vereadores Sidlei Alves (sem partido), Humberto Teixeira Jr (PDT), além do ex-assessor de Humberto, Rodrigo Teixeira. Também foi preso o ex-diretor financeiro da Câmara, Amilton Salina. Além disso, dez mandados de busca e apreensão, sendo sete na cidade de Dourados, dois em Campo Grande e um em Vicentina, comarca de Fátima do Sul. Todos expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Dourados, pela prática de crimes de falsificação de documento público e uso de documento público falsificado, peculato e formação de quadrilha.
 

Foram quatro meses de investigação baseadas em depoimentos de cinco ex-servidores comissionados da Câmara Municipal de Dourados que denunciaram um “esquema” de fraudes na contratação de empréstimos consignados.

O caso

Segundo as declarações, os servidores foram nomeados pelo então Presidente da Câmara Sidlei Alves a pedido do ex-vereador Humberto Teixeira Júnior, com a finalidade exclusiva de contratação de empréstimos consignados, cujos valores foram repassados para o ex-vereador. Ocorre que, os holerites dos servidores eram falsificados pelo então Diretor financeiro da Câmara, a mando dos dois vereadores, constando valores até 5 vezes maiores do que os efetivamente pagos, com o objetivo de aumentar a margem consignável e, com isso, conseguir maiores empréstimos.

Dos denunciantes, dois deles eram servidores-fantasmas, pois jamais trabalharam na Câmara Municipal de Dourados. Uma delas trabalhava efetivamente na assessoria de Teixeira Júnior e outros recebiam “gorjetas” mensais diretamente do ex-vereador e lhes prestavam serviços de caráter pessoal.

Agravantes

Toda a intermediação dos empréstimos entre a Câmara e as instituições bancárias era conduzida por Rodrigo Terra, vulgo “Tapado”, assessor de Teixeira Júnior, que participava instruindo a falsificação de documentos públicos e conduzia os servidores até os bancos. Assim que os empréstimos eram liberados, os servidores entregavam todo o valor para “Tapado” que os recebia em nome de Teixeira Júnior.

Alguns empréstimos eram pagos pelos próprios vereadores Teixeira Júnior e Sidlei Alves. Em outros, apurou-se, as parcelas eram descontadas do servidor-fantasma e pagas ao banco.

Segundo as declarações dos ex-servidores, inclusive valores referentes a rescisões de contrato teriam sido apropriados indevidamente pelo ex-vereador, por intermédio de seu assessor.

Gravações autorizadas pela justiça dão conta de que um dos ex-servidores, que está sob proteção policial, foi procurado por pessoa ligada a Teixeira Jr., que lhe pagou uma “propina” no valor de R$ 5.000 para que não denunciasse os fatos ao Ministério Público Estadual e, ainda, firmasse declaração em cartório de que os dois empréstimos feitos em seu nome foram utilizados pelo próprio ex-servidor.

Com informações do MPE
 

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