sábado, 21 de julho de 2018

Após luta pela vida, menina que pesou 600 gramas fará um ano

18 OUT 2010Por Silvia Tada06h:40



Quando abre um sorriso, Emillyn Thaiane Fagundes Bertelli, de 10 meses, encanta os adultos que estão a sua volta. Cada gesto da criança é acompanhado como uma vitória. Quando nasceu, no dia 22 de novembro de 2009, com apenas 23 semanas de gestação — um bebê normal forma-se com 40 semanas — e 810 gramas, que depois foi reduzida para cerca de 600 g, Emillyn começava uma batalha pela vida. A recém-nascida, ainda em formação, passou 99 dias na incubadora e enfrentou três cirurgias para conter uma hidrocefalia (líquido que se acumula na cavidade craniana). Passados os momentos críticos, agora, a família se prepara para comemorar o primeiro aniversário de menina, com uma missa em ação de graças e um bolo.
A risonha Emillyn é filha de Amanda dos Santos Fagundes e Willian Bertelli dos Santos. No terceiro mês de gestação, a mãe teve o diagnóstico de infecção urinária. O tratamento foi feito com orientação médica, mas Amanda não ficou totalmente curada. Quando se aproximava do 6º mês, teve sangramento e começou a sentir as primeiras contrações.
Levada com urgência para a Maternidade Cândido Mariano, Amanda foi atendida pela médica plantonista. No começo, as contrações eram espaçadas e foram feitos procedimentos para adiar o parto. Mas umas horas depois, não houve jeito e Emillyn nasceu, relembrou a mãe.
“Nem os médicos acreditavam que ela sobreviveria. Como o pulmão não estava formado, ela foi direto para o balão de oxigênio manual e assim ficou por mais de 1h, até chegar a ambulância do Samu para levá-la para o Hospital El Kadri”, afirmou a avó materna, Regina Mattos dos Santos. O parto foi normal e, como o feto não estava “encaixado”, com a cabeça virada para baixo, a obstetra puxou-a pelas nádegas.
A avó paterna, Lucineide de Fátima Bertelli, destacou que tudo no bebê era frágil. A pele, muito fina, ficou com a marca mas mãos da médica por vários meses. Os dedos eram palitinhos, de tão pequenos e finos. “Mas nós não perdemos as esperanças e graças aos cuidados médicos ela foi ganhando peso e terminando a formação dos órgãos”.

Cirurgias
Os pediatras identificaram que a pequena paciente tinha “sopro no coração”, que foi curado com medicamento. No início de fevereiro deste ano, com quadro de hidrocefalia, Emillyn teve de ganhar peso e chegar aos dois quilos para enfrentar a cirurgia para colocar uma válvula para drenar a água do cérebro para o intestino.
“No entanto, ela desenvolveu um cisto na ponta da válvula, rejeitando o material. No fim do mês, então, foi realizada a segunda cirurgia. De novo, rejeição. Em março, ocorreu a terceira e, desta vez, correu tudo bem”, destacou a mãe.
A menina recebeu alta do hospital quando estava com quatro meses. Segundo a família, a recuperação foi rápida e surpreendeu a todos. “Tanto que não tinha nem roupinhas adequadas. Tivemos que correr para comprar. Até as de tamanho recém-nascido (RN) ficavam muito grandes”, disseram as avós, que se revezam para cuidar da netinha, a primeira das duas famílias.
Hoje, Emillyn está com 67 centímetros e 7,230 quilos. O acompanhamento médico é feito mensalmente e a cada dois meses, a pequena vai ao neurocirurgião. Ela também tem de fazer fisioterapia para recuperar o movimento da mão esquerda. “Quando acorda, fica quietinha, não chora. É só chegarmos perto e dizer bom-dia, que ela já abre esse sorriso lindo”, comemora a orgulhosa avó Lucineide.

Leia Também