Segunda, 11 de Dezembro de 2017

Aos 26 anos, nadadora Joanna Maranhão anuncia aposentadoria e desabafa

31 JAN 2014Por TERRA17h:30

Um dos grandes destaques da natação feminina brasileira, Joanna Maranhão anunciou a sua aposentadoria das piscinas. Quinta colocada nos 400 m medley da Olimpíada de Atenas, a atleta de 26 anos fez o comunicado por meio de um desabafo nas redes sociais. Com frases de impacto, Joanna publicou um texto dizendo que "o esporte que acredita não é o esporte que presencia" no País. Além da quinta colocação em Atenas, a atleta ainda possui duas medalhas de prata e três de bronze em Jogos Pan-Americanos. Joanna decolou cedo na carreira, logo aos 16 anos, quando levou a medalha de bronze no Pan-Americano de 2003, em Santo Domingo. Antes, ainda com apenas 12 anos, já tinha ido ao Pan de Winnipeg. A final olímpica com 17 anos, em Atenas, fez o País nutrir grande esperança pelo futuro da nadadora. 

Após o ótimo desempenho em 2004, a atleta enfrentou uma queda de ritmo e diminuiu as conquistas. Joanna Maranhão ainda chegou a recuperar parte do talento e teve boa atuação durante o Pan-Americana de Guadalajara, em 2003, mas não obteve grande sucesso outro grande sucesso olímpico. Além do talento nas piscinas, a nadadora Joanna Maranhão também é lembrada por ter tido a coragem de revelar, em entrevista de 2008, que aos nove anos foi molestada pelo seu treinador. A comoção com a declaração levou os políticos brasileiros a agirem: no ano seguinte, o Senado aprovou projeto de lei que altera o Código Penal Brasileiro e que estabelece que os crimes de abuso sexual infantil só comece a ter o prazo de prescrição contado quando a vítima fizer 18 anos. 

Confira o desabafo de Joanna Maranhão no Facebook:

"Aos poucos vou escrevendo mais e contando pra vocês tudo que me levou a chegar a essa decisão. Mas uma coisa quero que saibam desde já: estou feliz. Estou motivada pra essa nova caminhada, orgulhosa dos 23 anos que pratiquei a modalidade, dos 12 anos de Seleção, dos três Pan-Americanos, das três Olimpíadas que participei, e principalmente das derrotas que sofri; foram elas, essas danadinhas, que me fortaleceram e me fizeram chegar na consciência que tenho hoje.

O esporte que acredito não é o esporte que presencio. Muitos ídolos só conquistam medalhas, e isso é muito pouco diante das reais necessidades do nosso país, sendo assim: prefiro canalizar meu talento e minha força para outros ideais. Falei muito, questionei, propus mudanças e infelizmente gritei sozinha. Desejo sucesso, ética, moral e empenho aos que ficam e conto com vocês para que em abril a gente faça uma festa bonita daquela que será minha última vez subindo no bloco pra buscar o melhor de mim e a gente angariar fundos para a ONG infância livre." 

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