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Campo Grande - MS, sexta, 19 de outubro de 2018

Ao completar 18 anos, jovem comemora poder trabalhar no lixão

23 FEV 2010Por 04h:02
A noite em que o jovem Adriano completou 18 anos foi especial. Ele comemorou o aniversário com os colegas catadores do lixão. Julio, 14, Willian, 16, e Marcos, 17, fazem brincadeira com o aniversariante que se defende comemorando a maioridade. “Agora eu posso catar sossegado, ninguém pode mais me tomar o gancho”. Ele cata materiais recicláveis desde os dez anos e os cerca de R$ 1,5 mil conquistados mensalmente no local são destinados para ajudar no sustento da casa. Da família de sete irmãos, quase todos trabalham no lixo. “Eu tenho pai e mãe, tudo certinho, e o dinheiro que ganho aqui, ajuda bastante. Se não fosse aqui onde eu iria trabalhar?”, questiona o jovem. Os meninos correm das fotos, eles têm medo de ser reconhecidos e não poder mais trabalhar. Para Willian, a idade não pode impedir de ganhar dinheiro. “Minha mãe é separada e trabalha de empregada doméstica na cidade, eu preciso ajudar ela e também comprar as coisas que eu quero”, explica o garoto, que tem três irmãos. Restrição Segundo os meninos, os funcionários que trabalham no local, quando estão de “mau humor”, tomam o gancho e batem neles. “Falam assim: vocês não podem trabalhar aqui, não! Daí chegamos na vila e a polícia enquadra a gente e diz: vai trabalhar, vagabundo. Afinal, quem nós devemos obedecer? Eu não quero uma vida de bandido”, diz. Brincadeiras e sorrisos desaparecem quando o assunto drogas é abordado. “Aqui ninguém usa droga, é doida?”, questiona Julio. Mas todos conhecem alguém que usa. Marcos, o mais tímido do grupo, resolve, então, dar sua opinião. “Lá na vila tem uns meninos que usam, mas eles nem colam com a gente, não, nosso negócio é trabalhar, ganhar dinheiro e ter um futuro. Eu vou voltar a estudar e quem sabe um dia eu saio do lixo. Mas só saio se for para ganhar algo parecido com o que ganho aqui”, avisa. O trabalho termina quando os compradores chegam. Os meninos fecham os últimos bags (sacos usados para guardar materiais recicláveis) que faltam e os salgados trazidos pelos vendedores aliviam a fome e o cansaço de mais um dia de trabalho. (LBC)
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