Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Antes de morrer, Hoffman enviou SMS a amigo e não teve resposta

8 FEV 2014Por terra03h:00

"Quer assistir ao segundo tempo do jogo dos Knicks em Bethune?" Esse foi o penúltimo registro em vida de Philip Seymour Hoffman, uma mensagem enviada pelo ator às 20h58 do último dia 1º de fevereiro, poucas horas antes de morrer de uma aparente overdose em um apartamento alugado em Nova York, na Bethune Street. Quarenta minutos depois, ele insistiu: "pode ser umas 22h15." As informações são do jornal The New York Times.

David Bar Katz, o amigo para quem foi endereçada a mensagem, não as respondeu a tempo. Ele só as viu mais de uma hora depois, por volta das 23h30. "Acabei de sair para jantar. Onde você está?", escreveu. O SMS do ator nunca veio. Muito provavelmente, era tarde. Hoffman já estava morto.

Os últimos dias de vida do ator foram um misto de normalidade com grandes viagens de álcool e drogas. Hoffman era um nova-iorquino comum. Não se escondia das pessoas no apartamento onde vivia desde a separação da mulher, Mimi O´Donnel, com quem compartilhou por mais de uma década uma residência com os três filhos, na Jane Street. Pelo contrário. Era regularmente visto caminhando pelas ruas da região do bairro do Village, tomando café e comendo em locais em que era habitué. Passeava com o herdeiro mais novo empurrando o carrinho de bebê, dava informações para turistas, fumava cigarros em frente a seu prédio e pontos comerciais.

Ao mesmo tempo, seus últimos dias revelaram uma pessoa que estava constantemente abatida pelo uso de drogas. Em dezembro, o ator admitiu em uma reunião dos Narcóticos Anônimos que havia tido uma recaída na heroína semanas antes. "Ele levantou a mão e disse que estava há 28 ou 30 dias sóbrio", contou um frequentador do grupo, sob a condição de anonimato. "Ele parecia ótimo. Totalmente normal."

Mas o ator sofreria uma nova recaída, sua última, que acabou escancarada para pessoas que cruzaram com ele em seu derradeiro mês de vida. No fim de semana anterior à sua morte, Hoffman embarcou para Atlanta para filmar as cenas finais do último longa da trilogia Jogos Vorazes, com previsão de lançamento para 2015. E foi na cidade em que ele teria se afundado de vez e com tudo nos vícios.

"Me pareceu muito estranho ver um morador de rua no aeroporto", disse Theresa Fehr, uma mulher que embarcou de Atlanta para Nova York no mesmo voo de Hoffman e que, ao vê-lo, imaginou ser um mendigo devido ao lastimável estado que o levou a ser levado para fora do Aeroporto La Guardia por seguranças. "(Quando foi passar pela segurança do aeroporto), ele teve claras dificuldades para colocar o cinto. Suas calças caíam, sua barriga ficava pra fora. Dava para dizer que ele estava muito intoxicado."

"Ele passou por mim e minha noiva e foi marcante o quão horrível ele aparentava", disse o editor do site Mediatitem Andrew Kirell, que também cruzou com Hoffman naquela noite.

Apesar de passado em família e em contato com os amigos, o último dia de vida de Hoffman parecia uma premonição do que estava por vir. Pela manhã, ele passou no Chocolate Bar para comprar o café da manhã que comprava todos os dias - quatro doses de expresso. Depois, foi a um playground com a mulher com quem ficou casado por 14 anos levar os filhos para brincar. Ela viria a descrever mais tarde à polícia que o ex parecia "alto" quando conversou horas depois com ele.

Por volta das 17h, o produtor executivo do The Dan Patrick Show cruzou com Hoffman na rua. "Minha irmã olhou para mim e disse, 'uau, ele não parece bem'", recordou Paul Pabst. "Ele realmente parecia estar fora de si."

Hoffman ainda jantaria no mesmo dia no Automatic Slim´s, um popular restaurante no bairro que frequentava com regularidade. Na sequência, foi a um caixa automático em uma mercearia próxima ao seu apartamento e realizou seis transações de US$ 200 cada. No total, foram sacados US$ 1.200 - muito provavelmente para a compra da heroína que pouco depois o mataria.

Foi logo após os saques que Hoffman enviou a mensagem para o amigo, que, distraído, não a percebeu quando deveria. No dia seguinte, Katz seria o primeiro a ver o corpo do ator, já frio, encostado em um vaso sanitário com uma seringa presa ao braço. Morto, aos 46 anos de idade.  

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