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ciência

Ansiedade pode transformar cheiros neutros em desagradáveis

27 FEV 14 - 00h:00terra

Coração acelerado e mãos trêmulas são sintomas já conhecidos de ansiedade e estresse. No entanto, agora, cientistas afirmam que o olfato também pode sofrer alterações nestas condições. As informações são do site do jornal britânico Daily Mail. De acordo com o novo estudo, o olfato humano é afetado pela ansiedade e aromas anteriormente neutros podem se tornar desagradáveis: quanto maior a tensão, maior é a variação no cheiro, indicam os cientistas.

Wen Li, professor de psicologia da University of Wisconsin-Madison, usou imagens do cérebro para demonstrar como a ansiedade e o estresse podem reprogramá-lo, acionando centros de emoção e processamento do olfato para transformar cheiros tipicamente benignos em desagradáveis.

Para o estudo, publicado no Journal of Neuroscience, a ansiedade foi estimulada a partir de imagens de guerra e desastres de carro. O estudo mostrou que a sensação transformou odores naturais em desagradáveis, o que os cientistas notaram que poderia aumentar a angústia e a depressão. “Depois da indução da ansiedade, os cheiros neutros se tornaram claramente negativos”, observa Li.

Utilizando técnicas comportamentais e ressonância magnética, o professor observou 12 assuntos que induzem à ansiedade. Antes de entrar no scanner da ressonância, onde eram apresentados a textos e fotos perturbadores, os temas foram expostos e avaliados em um painel de cheiros neutros. Ao longo do experimento, os cientistas observaram que dois circuitos cerebrais independentes – um dedicado ao processo olfativo, outro à emoção – se tornaram intimamente associados sob as condições de ansiedade.

Depois da indução à ansiedade e ao processamento das imagens, os temas foram colocados novamente, seguidos da avaliação dos cheiros. A maioria das respostas negativas foram dadas em relação a cheiros anteriormente classificados como neutros. Segundo Li, isso demonstra que, ao passo em que uma pessoa fica ansiosa, o sistema emocional torna-se parte do fluxo de processamento olfativo.

Embora estes dois sistemas do cérebro fiquem bem próximos um do outro, sob circunstâncias normais a "conversa" entre os dois é limitada. Os resultados podem ser usados ​​para descobrir os mecanismos biológicos que ocorrem durante os períodos de ansiedade. "Nós encontramos a ansiedade e, como resultado, vemos o mundo de forma mais negativa. O ambiente cheira mal neste contexto”, conclui.  

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