Quinta, 22 de Fevereiro de 2018

CAMPANHA ELEITORAL

André gastou 474% a mais do que adversário do PT

3 NOV 2010Por Maria Matheus e Lidiane Kober00h:00

A campanha do governador André Puccinelli (PMDB) custou R$ 17.801.478,10, segundo declarou à Justiça Eleitoral. O valor é 474% superior ao gasto pelo seu principal adversário na disputa pelo Governo do Estado, o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT). O petista investiu R$ 3.098.634,18, enquanto o candidato do PSOL, Nei Braga, desembolsou R$ 1,7 mil.

Embora tenha despendido menos que o teto previsto, de R$ 20 milhões, o montante gasto por Puccinelli foi 150% superior ao investido nas eleições de 2006, quando conquistou seu primeiro mandato. Naquele ano, a despesa do peemedebista foi de R$ 7,1 milhões. O então candidato do PT ao Governo, senador Delcídio do Amaral, gastou R$ 4,2 milhões.

A prestação de contas de Puccinelli mostra que a maior parte da receita da campanha, R$ 10,2 milhões, foi proveniente de doações de empresas, principalmente do setor sucroalcoleiro. Ele informou ter recebido doação de R$ 4,29 milhões do PMDB e R$ 3,262 milhões de pessoas físicas. Quem mais colaborou depois do partido foi o empresário João Roberto Baird, que desembolsou R$ 1,7 milhão. Em seguida, figura o fazendeiro Antônio Moraes dos Santos. Ele doou R$ 950 mil. O governador reeleito tirou do próprio bolso R$ 40 mil.

Puccinelli recebeu mais de R$ 3,6 milhões de usinas de álcool e açúcar. Do setor, quem mais contribuiu foi a Usina Naviraí - Açúcar e Álcool, com repasse de R$ 628 mil. Os bancos BMG S/A e Rural doaram, respectivamente, R$ 300 mil e R$ 500 mil. O peemedebista declarou, ainda, ter recebido R$ 750 mil de outros candidatos.

 Despesas
O governador doou a maior parte dos recursos arrecadados, R$ 10,357 milhões, a outros candidatos ou comitês financeiros. Descontado esse montante, o custo da campanha foi de R$ 7.444.478,00.

Os principais gastos foram com contratação de serviços prestados por terceiros, R$ 2,072 milhões e com a produção de programas de rádio e televisão para o horário eleitoral gratuito, R$ 1,651 milhão.

O peemedebista investiu R$ 1,118 milhão com publicidade em materiais impressos, como santinhos e boletins informativos, por exemplo. Outros R$ 31,9 mil foram gastos com carros de som e R$ 9 mil com propagandas publicadas em jornais e revistas.

A prestação de contas de André Puccinelli cita também despesa de quase R$ 683 mil com transporte e deslocamentos; R$ 743,8 mil com combustíveis e lubrificantes; R$ 199,3 mil com alimentação e R$ 285 mil com pesquisas eleitorais.

 Orcírio
O principal gasto do candidato do PT foi com pagamento de colaboradores. No total, conforme informou o contador Lúcio Lima, foi desembolsado R$ 1.113.239 para pagamento de despesas com pessoal. A principal fonte de recursos de Orcírio veio do partido, que investiu R$ 975 mil na campanha.

Até a conclusão da reportagem, o candidato do PT não tinha entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a prestação de contas de sua campanha. Lúcio Lima garantiu que repassaria os dados até o prazo final, que encerraria às 19 horas.

 Nei Braga
A campanha de Nei Braga foi totalmente custeada pelo PSOL, conforme a declaração do partido à Justiça Eleitoral. O candidato gastou R$ 400 com materiais impressos, R$ 300 com serviços prestados por terceiros e R$ 1 mil com a produção dos programas para o horário eleitoral.

A lista completa de doadores na campanha eleitoral deste ano pode ser consultada no site do TSE (www.tse.gov.br), acessando o link "Consulta à prestação de contas final de candidatos e comitês financeiros".

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