sexta, 20 de julho de 2018

COMPETITVIDADE

Alta da Selic prejudica a indústria

20 JAN 2011Por DA REDAÇÃO13h:53

O aumento da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, elevando a Selic para 11,25%, evidencia a manutenção da política de juros pelo BC (Banco Central) no Governo da presidente Dilma Rousseff, ou seja, conter a inflação via aumento da taxa de juros e restrições aos créditos como forma de restringir o consumo. No entanto, a medida não fi muito bem recebida pelos setores produtivos de MS. Na avaliação dos empresários, a alta restringe a competatividade da indústria.

 Na primeira reunião do Copom sob o mandato da presidente Dilma Rousseff e com o BC sob o comando de Alexandre Tombini, a Selic subiu de 10,75% para 11,25% em decisão foi unânime. Dessa forma a taxa tem sua primeira elevação após três reuniões seguidas (1º de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro do ano passado) em que o Copom decidiu mantê-la com a Selic atingindo também seu maior nível desde abril de 2009, já que última alta havia sido em julho de 2010, quando ela passou de 10,25% para 10,75%.

Custo Brasil

Para o presidente da Fiems Sérgio Longen, a preocupação da indústria nacional neste momento é com o custo Brasil, formado por elevadas taxas de juros, variação cambial negativa e altíssima carga tributária. “Somado aos problemas de logística e a falta de marcos regulatórios, estes são os grandes entraves para os investimentos, o que acaba interferindo negativamente na competitividade industrial”, analisou.

Segundo o dirigente empresarial, é passada a hora dos governos fazerem a lição de casa e reduzirem os gastos públicos para que os diversos setores da economia consigam se manter competitivos no atual mundo globalizado. “Os produtos importados chegam ao Brasil com preços baixos e quase sem concorrência com a indústria nacional. E os preços do mercado internacional são mais competitivos exatamente em decorrência do elevado custo Brasil, que ainda tem a sobrecarga dos impostos dos salários dos trabalhadores”, argumentou.

Sérgio Longen reitera ainda que os governos, sejam municipais, estaduais ou federal, continuam usando a ferramenta do aumento de impostos como forma de cobrir os gastos públicos, penalizando a produção. “Nós, empresários, estamos sempre adequando nossos gastos com a receita. Ninguém pode gastar mais do que arrecada. Como os Governos gastam muito o aumento dos impostos e a criação de novas taxas são sempre a única saída que encontram”, lamentou.

Como funciona

A elevação dos juros é o principal método utilizado para o BC para perseguir o centro da meta de inflação, medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é de 4,5% para este ano. O mercado prevê que a inflação em 2011 será de 5,47%. No ano passado, a inflação foi de 5,91%, a maior registrada no país desde 2004. A Selic é usada como base, por exemplo, para os juros cobrados quando se parcela uma compra ou se pede dinheiro emprestado no banco.

Se os juros básicos aumentam, as lojas fazem o mesmo com o crediário. Os juros também são usados como política monetária pelo governo para conter a inflação. Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços. No caso de redução dos juros, o receio do governo é que haja muitas compras e as indústrias não consigam produzir o suficiente.

Quando isso acontece, há falta de produtos no mercado, e os que existem ficam mais caros - é a chamada lei da oferta e da procura. Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o País. Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe um rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão. Por isso os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos. O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

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