quinta, 19 de julho de 2018

2011

Alta da inflação é desafio, dizem parlamentares

24 JAN 2011Por AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS00h:00

A inflação oficial registrada em 2010, que chegou a 5,9% – a maior desde 2004 –, preocupa parlamentares da base aliada e da oposição. A elevação da taxa de juros básicos da economia (Selic) de 10,75% para 11,25%, anunciada pelo Banco Central na semana passada, é apontada pelos dois lados como remédio amargo para combater a alta dos preços. Apesar das divergências, é consenso que a presidente Dilma Rousseff vai precisar encarar como prioridade o problema que parecia ter ficado no passado.

Os dados divulgados pelo IBGE indicam que a inflação voltou a ser uma ameaça real. Alguns índices de preço mostram que o custo de vida está ainda mais caro do que o registrado pelo IPCA fechou o ano em 7,33%. Considerando isoladamente as despesas com alimentação, o aumento ultrapassou 11%.

“O controle da inflação é o maior desafio do novo governo, como foi o dos últimos. A crise mundial e a fartura de câmbio acabou gerando esta ameaça inflacionária, que não é só de demanda, mas também de custo”, argumenta o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, deputado Dr. Ubiali (PSB-SP).

Na avaliação de Dr. Ubiali, a alta dos preços pode ser atribuída, entre outros fatores, aos custos da produção. “O transporte, por exemplo, é muito caro, nossos portos estão ineficientes, embora tenham melhorado. É preciso reduzir o custo que separa produtor do consumidor”, argumenta.

Na avaliação do deputado Sandro Mabel (PR-GO), a alta inflacionária pode ser atribuída a dois motivos principais. “Primeiro, há tempos o Brasil não experimentava um crescimento tão grande. Esse crescimento faz com que, muitas vezes, a produção não acompanhe a demanda. Outro fator que empurrou a inflação para cima foi o preço dos alimentos. As principais commodities que compõem a alimentação dos brasileiros tiveram os preços aumentados”, afirma o parlamentar.

Para Sandro Mabel, o grande desafio do governo da presidente Dilma será manter o crescimento econômico e o controle da inflação. “A inflação é o pior imposto a que as pessoas mais pobres estão sujeitas. O Executivo deve ficar atento, e o Legislativo tem que apoiar essa atenção de forma decisiva”, defende.

Negligência e euforia
Na avaliação do deputado Guilherme Campos (DEM-SP), a ameaça inflacionária é resultado de “negligência e euforia por parte do governo anterior de achar que tudo podia e que não haveria repercussão econômica de ordem alguma”. Para ele, o governo federal deveria ser mais responsável em conter os gastos e promover o ajuste fiscal. “Esses gastos foram inflados pelas sucessivas benesses que aumentaram os salários e os custeios”, afirmou.

Apesar de entender que ainda é cedo para dizer que a inflação está fora de controle, Campos afirma que o Congresso deve ficar vigilante. Ele destaca que é preciso aguardar pelo menos um semestre para avaliar se as medidas tomadas pela atual gestão surtirão efeito. “Temos que lembrar que toda a sociedade sofre com o que o governo erra e tem benefícios com o que acerta”, argumenta.

O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) também atribui o descontrole inflacionário às despesas do governo na contratação de pessoas. “Nós estamos entrando numa fase extremamente difícil. E a razão disso é a farra fiscal que caracterizou o governo federal no ano passado”, afirma.

Na avaliação do parlamentar, o governo deve se empenhar em manter o controle da inflação, o superávit primário e o regime de câmbio flutuante. Para Mendes Thame, a grande dificuldade do governo será manter a sintonia fina para o País continuar crescendo sem inflação. “Dizer que o futuro crescimento do País automaticamente vai controlar a inflação é acreditar em Papai Noel.”

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