quarta, 18 de julho de 2018

CUSTO DE VIDA

Alimentos puxam IPC e Capital tem a maior inflação em seis anos

7 DEZ 2010Por Carlos Henrique Braga04h:40

A inflação dos alimentos salgou o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) pelo terceiro mês consecutivo e novembro registrou alta de 1%, a maior desde janeiro (1,34%). São as carnes, especialmente a bovina, que forçaram os aumentos. Da inflação registrada no mês, 0,89% ficou por conta da comida, grupo que soma 13,11% da inflação em 2010.

No ano, o acumulado para todos os setores é de 5,77%, maior percentual dos últimos seis anos, e deve ultrapassar o de 2004 (5,80%) até o fim deste mês. A meta de 4,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ficou para trás.

O filé mignon teve expansão de 18,59%, mas o pernil suíno não deixou por menos, e ficou 16,77% mais pesado. O frango foi mais modesto, com altas de 1,60% (inteiro congelado) e 5,13% (miúdos). Patinho e acém subiram também: 14,09% e 14,01%, respectivamente.

No supermercado de rede, o quilo da picanha custa até R$ 41, mas custa R$ 16,90 em uma loja de bairro. Se o consumidor optar pela mais cara, deve saber que poderia comprar quase 5 quilos de peru na mesma loja de rede, vendido a R$ 8,49, ou cerca de 4 quilos de pernil suíno (R$ 10,49) para preparar a ceia de Natal. O quilo do filé de pintado também é mais em conta (R$ 31,20), assim como o da merluza (R$ 21,98).

No mercado do Bairro Iracy Coelho, os preços da carne recuaram e a oferta estabilizou-se, segundo o dono, Luiz Antonio Marques. “O consumidor chegou a mudar para frango e suíno, mas voltou para a bovina assim que os preços caíram um pouco”, conta o empresário. Desde a semana passada, ele paga 15% menos no quilo da vaca no distribuidor, de R$ 7 para R$ 5,95. Ele garante que o repasse ao consumidor é imediato e a picanha de R$ 19,90 já custa R$ 16,90, retração de 15%.

Fora do grupo da carne, a farinha de trigo também puxou a inflação (+14,52%). Na contramão, tiveram retração: cebola (-18,63%), queijos muçarela e prato (-10,77%), queijo de minas (-9,15%), tomate (-8,75%), aparelho de televisão (-6,39%), blusa feminina (-6,07%), computador (-4,66%), anti-inflamatório (-2,7%), azeite (-2,3%) e carro novo (-1,11%).

Se o encarecimento incomoda o cliente do supermercado, também deixa o governo em alerta. Na semana passada, o Banco Central anunciou medidas para conter o crédito fácil e fazer o consumidor colocar o pé no freio. Para o economista Jorge Goya, de Campo Grande, o efeito deve ser sentido a curto prazo. “Restringir o crédito vai deixar as pessoas com menos dinheiro na mão, e isso vai controlar a inflação de demanda, que vivemos hoje”, diz Goya. Neste tipo de inflação, os produtos ficam mais caros porque há quem pague por eles. 

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