Terça, 20 de Fevereiro de 2018

Alimentação verde

2 OUT 2010Por THIAGO ANDRADE00h:02



Pelo menos uma vez na vida, todos pensam em deixar de comer carne animal. Os motivos são inúmeros, desde a crença de que eliminar derivados animais da dieta pode melhorar a saúde à compaixão e a busca por direitos dignos para os bichos que são explorados sem a menor dignidade. Ultimamente, o número de vegetarianos tem crescido no Brasil e, segundo o Instituto Ipsos, 28% da população têm procurado comer menos carne animal. Nas prateleiras de supermercados e nos cardápios de restaurantes e lanchonetes, opções vegetarianas aparecem com o objetivo de não deixar que os clientes deixem de frequentá-los.
Mas ser vegetariano é, realmente, sinônimo de boa saúde? Para a nutricionista Bruna Murta, se for feita com os cuidados necessários, a transição de uma dieta onívora para a vegetariana é benéfica, reduzindo o consumo de gorduras saturadas, reduzindo-se assim o risco de doenças cardiovasculares, o índice de obesidade, a probabilidade de ter prisão de ventre, diabetes e outros problemas de saúde. Para ela, o primordial na troca de uma forma de alimentação por outra é fazer as substituições necessárias para que os nutrientes, vitaminas e minerais não fiquem em falta.
“O vegetariano come tudo que outra pessoa come, menos carne e, em alguns casos, derivados animais. Parece estranho, pois grande parte do que comemos vem dos animais, mas existem outros alimentos no planeta. São eles que quem opta por essa dieta deve procurar”, explica a nutricionista. Ela diz que existem três formas de vegetarianismo: os ovo-lacto-vegetarianos, no qual há consumo de ovos, laticínios e vegetais; os lacto-vegetarianos, na qual se excluem os ovos; e os vegans, para os quais todo produto animal é excluído, inclusive mel, couro e lã.
Quando a escolha é pela exclusão total de alimentos animais, é necessário tomar alguns cuidados, pois a dieta pode causar impactos muito grandes na saúde, propiciando anemias e falta de vitaminas. “Embora possamos encontrar quase todos os nutrientes que a carne oferece em grãos, leguminosas e vegetais, a forma como são absorvidos é diferente. É preciso estar atento a isso”, ressalta Bruna.
Por exemplo, o corpo humano tem maior facilidade para metabolizar o ferro da carne vermelha. Mas ingerir folhas verdes escuras junto a alimentos ricos em vitamina C, a absorção será mais fácil.
No entanto, em determinados casos, é preciso fazer suplementação por meio de complexos vitamínicos, principalmente da vitamina B12, que não é encontrada em nenhum alimento não animal. “Nesse caso, é preciso buscar os suplementos. Mas existem alguns naturais, à base de clorela, alga marinha e de levedo de cerveja”, descreve a Bruna.

Crianças
Uma dúvida muito comum diz respeito aos efeitos do vegetarianismo em crianças. A nutricionista esclarece que não existe nenhum risco. Mas para tanto é importante fazer a substituição correta e sempre procurar um profissional. “Crianças precisam de porções abundantes dos nutrientes, a falta na fase de crescimento pode atrapalhar o desenvolvimento e provocar doenças, como anemia”, alerta Bruna. Mas, assim como os adultos, alimentando-se de forma saudável, é possível evitar os malefícios da carne desde a infância.
Independentemente da idade, o importante é sempre manter as refeições equilibradas e ricas em alimentos como frutas, legumes, verduras, grãos e castanhas. “A regra são pratos cheios de cores e variedades. A soja é uma grande aliada, mas não pode ser a única”.
Não adianta trocar a carne por refeições cheias de gordura e carboidratos, como acontece em muitos casos. “A pessoa vai passar mal, engordar e continuar tendo problemas de saúde”, critica.

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