Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

INFLAÇÃO 2011

Alimentação e serviços serão os vilões

10 FEV 2011Por DA REDAÇÃO00h:01

A Alimentação deve ser um fato preocupante para o consumidor de Campo Grande também neste ano. “Os preços dos alimentos ficaram altos e devem permanecer neste patamar em decorrência dos custos operacionais de produção, das taxas de juros e em parte um subproduto mais forte das recuperações econômicas da renda familiar. Os Alimentos sofrerão uma pressão de alta nos produtos agropecuários em função dos demais preços mundiais, associados aos problemas climáticos no mundo todo: do frio no hemisfério norte, inundações na Ásia e no Brasil, e seca na Argentina. O Brasil não tem problema de oferta, mas o preço internacional acaba puxando o preço interno”, destaca o pesquisador José Francisco dos Reis Neto, do Núcleo de Pesquisas Econômicas (Nepes) da Uniderp/Anhanguera.

Para Reis, o controle da inflação deve ser uma medida do governo que se inicia. “Preocupado com a possibilidade de aumento inflacionário, deve-se manter a política de juros altos, prevendo um crescimento econômico da ordem de 7% e aumento dos gastos públicos para reduzir a pobreza. Vários analistas acreditam que não deverá ocorrer muita preocupação com a disparada da inflação, considerando que a taxa Selic de 10,75% deve atrair muitos investimentos estrangeiros. Por outro lado, a subida do real frente ao dólar torna as exportações brasileiras menos competitivas. O ano de 2011 deverá ser de juros altos, restrições de créditos, encolhimento do déficit, esfriamento da economia, aumento dos gastos sociais e inflação dentro dos limites previstos”, comenta.

Mas, segundo José Francisco, em 2011, o foco de preocupação não deve ser o grupo Alimentação, e sim o de Serviços, pois estes são, ligeiramente, indexados. “Em Campo Grande os serviços e despesas pessoais tiveram aumentos e recuperações de preços acima da inflação medida durante o ano de 2010, e logo agora neste começo deveremos ter novos preços administrados, como por exemplo, o reajuste já autorizado da tarifa de saneamento em 8,91%”, fala. Ele acrescenta que “os preços administrados ajudaram a conter parte da inflação em 2010, depois de um ano de poucos reajustes, contidos pelo processo eleitoral”. Segundo o pesquisador, este comportamento não ocorrerá neste ano, e este grupo deverá ser mais um fator de pressão inflacionária. O Comitê de Política Monetária já sinaliza um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, logo agora no inicio de janeiro, que direto ou indiretamente, irá atingir a economia local. “Já os preços livres permanecerão em patamar elevado, considerando que existe uma perspectiva de que o consumo tende continuar aquecido com a manutenção do ritmo do crescimento brasileiro, pois o comprador tendo condições realiza os seus sonhos, apesar dos juros altos”, finaliza.

 

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